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Após ordem de prisão, Cristina Kirchner diz que sofre ‘perseguição’

Juiz ordenou nesta quinta a prisão da ex-presidente argentina pelos supostos crimes de traição à pátria e encobrimento agravado

Por EFE - Atualizado em 7 dez 2017, 23h04 - Publicado em 7 dez 2017, 23h03

A ex-presidente da Argentina e senadora Cristina Kirchner disse nesta quinta-feira que se considera vítima de “perseguição” e definiu como um “excesso” e uma violação do Estado de Direito a decisão que decretou sua prisão preventiva pelo suposto acobertamento dos iranianos acusados do ataque contra uma associação judaica em Buenos Aires em 1994.

“Estas medidas enfraquecem ainda mais o Judiciário argentino e revelam que o governo e o presidente Mauricio Macri são os principais e verdadeiros responsáveis pelo estabelecimento de uma organização política e judicial para perseguir a oposição”, disse a ex-presidente, em uma coletiva de imprensa no Congresso junto com deputados e senadores de sua bancada.

O juiz Claudio Bonadio ordenou nesta quinta a prisão de Cristina pelos supostos crimes de traição à pátria e encobrimento agravado, e pediu ao Senado que a destitua do cargo atual, o que faria com que ela perca o foro privilegiado.

No caso, que foi aberto após a denúncia que o promotor Alberto Nisman realizou em janeiro de 2015 contra ela, dias antes de ser encontrado morto em circunstâncias estranhas, as autoridades investigam se um acordo firmado entre a Argentina e o Irã em 2013 tinha como objetivo acobertar os acusados iranianos pelo atentado contra a AMIA, que deixou 85 mortos e segue impune.

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“O que realmente foi acertado no memorando (com o Irã) foi fazer com que os que realmente eram acusados de ter participado no atentado prestassem depoimento”, disse Cristina. “Na realidade, o que fizemos, além de favorecer o fato de conseguir ouvir os acusados, era agir no marco do direito internacional”, destacou a ex-presidente sobre o acordo, que não chegou a ser ratificado pelo Irã.

“É um caso inventado sobre fatos que não existiram e um julgamento de política externa a partir de um ponto de vista jurídico. Tudo isso que está ocorrendo é um despropósito e um verdadeiro excesso”, completou Cristina. Para ex-presidente, a ordem de prisão não só viola o Estado de Direito, mas visa também causar “dano pessoal e político aos opositores (de Mauricio Macri)”.

“Não há caso, não há crime e nem motivo”, criticou Cristina. A agora senadora, que não descartou recorrer a tribunais internacionais para denunciar sua situação, criticou a notificação de “traição à pátria” contra ela.

O Senado argentino agora precisará decidir se atende ao pedido do juiz de retirar a imunidade de prisão de Cristina, que tomou posse em novembro. Para isso ocorrer, será preciso o voto de dois terços dos senadores. No entanto, a expectativa é que a solicitação não avance porque o Partido Justicialista, com grande representação na casa, já antecipou que votará contra o pedido.

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