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Após morte de diplomata, Obama promete fazer justiça

Presidente também ordenou reforço imediato de segurança em todos os postos diplomáticos dos EUA. Vaticano considerou atentado uma 'violência inaceitável'

Após o ataque ao Consulado americano em Bengasi, na Líbia, que deixou quatro mortos nesta terça-feira – inclusive o embaixador Christopher Stevens – o governo americano anunciou que “os Estados Unidos não vão descansar enquanto os responsáveis por esses ataques não forem encontrados e levados à Justiça”. Em pronunciamento nesta manhã, o presidente Barack Obama garantiu que trabalhará com o governo líbio para chegar aos responsáveis. “Não tenham dúvidas: a justiça será feita”.

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O embaixador Stevens foi morto quando, junto a um grupo de funcionários, foi ao consulado para tentar retirar seu pessoal do local, onde ocorria uma manifestação. Naquele momento, o edifício foi atacado por uma multidão armada e granadas foram lançadas. O canal de TV catariano Al Jazira, no entanto, afirmou que o diplomata teria morrido por asfixia, como consequência do incêndio que atingiu o prédio.

Um pouco antes de Obama, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia falado sobre o atentado, que teria sido motivado pelo lançamento do filme Innocence of Muslims (A Inocência dos Muçulmanos, em tradução livre do inglês), considerado ofensivo ao Islã. “Lamentamos qualquer tentativa de denegrir outras crenças religiosas. Mas não há nenhuma justificativa para atos de violência deste tipo”.

Segurança – Obama afirmou também que os Estados Unidos vão elevar imediatamente a segurança de seus diplomatas em todo o mundo. “Eu ordenei à minha administração que forneça todos os recursos necessários para apoiar a segurança de nossos funcionários na Líbia, e para aumentar a segurança de nossos postos diplomáticos em todo o planeta.”

Ao falar sobre os quatro funcionários assassinados, Obama disse que eles “exemplificaram o compromisso dos Estados Unidos com a liberdade, a justiça e a parceria com nações e povos ao redor do planeta” – em forte contraste com “aqueles que insensivelmente tiraram suas vidas”. “Neste momento, o povo americano tem as famílias daqueles que perdemos em seus pensamentos e orações”, completou.

O presidente americano disse que Stevens era um modelo de diplomata.”É triste J. Christopher Stevens ter morrido em Bengasi, porque é uma cidade que ele ajudou a salvar no auge da rebelião líbia”, afirmou.

Vaticano – A repercussão em torno do filme Innocence of Muslims, apontado como estopim dos protestos que resultaram no atentado, chegou até o Vaticano. O porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, considerou “inaceitável” o episódio. “O respeito profundo pelas crenças, os textos, os grandes personagens e os símbolos das diferentes religiões é uma premissa essencial da convivência pacífica dos povos”, disse Lombardi, em nota divulgada pela Rádio Vaticano.

O filme – Innocence of Muslims é um filme de baixo orçamento produzido pelo americano de origem israelense Sam Bacile. De acordo com o site do The Wall Street Journal, o filme foi traduzido para o árabe e um trailer foi postado recentemente no YouTube. Bacile, que está escondido para evitar retaliação, disse, em entrevista ao site do jornal americano, que o “Islã é um câncer” e que sua obra é política e não religiosa. Ele contou, ainda, ter arrecadado US$ 5 milhões junto a 100 doadores judeus para produzir o filme.

Segundo o New York Times, o filme ganhou súbita projeção internacional depois que o pastor Terry Jones, que lidera uma pequena igreja com tendências anti-islâmicas em Gainesville, na Flórida, passou a divulgá-lo – especialmente neste 11 de setembro, proclamado por Jones como o “Dia Internacional do Julgamento de Maomé”. Em comunicado nesta terça-feira, o pastor afirmou que o filme não ataca os muçulmanos, “mas mostra a ideologia destrutiva do Islã”. No ano passado, Jones queimou exemplares do Corão em sua igreja. Em uma espécie de julgamento, o livro sagrado dos muçulmanos é considerado pelo pastor “culpado” de várias acusações, entre elas assassinato.

(Com agências EFE e Reuters)