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Após meses de apagão digital, governo do Irã permite retomada de internet no país

Conexão foi cortada após protestos antigovernamentais e ataques conjuntos dos EUA e Israel

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 Maio 2026, 17h45
Após meses de apagão digital, governo do Irã permite retomada de internet no país Priorize VEJA no Google

O governo do Irã anunciou nesta segunda-feira, 25, que voltará a permitir o acesso à internet no país após quase três meses de restrições severas que deixaram milhões de pessoas desconectadas da rede global. Segundo a mídia estatal iraniana, o presidente Masoud Pezeshkian determinou a retomada do acesso, em uma decisão divulgada pelo chefe de relações públicas do Ministério das Comunicações.

Um apagão digital se espalhou pelo Irã após protestos contra o governo em janeiro, em uma tentativa de controlar a circulação de informações. O panorama foi agravado um mês mais tarde com os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel ao território iraniano, depois de negociações nucleares fracassarem, abrindo uma nova frente de guerra no Oriente Médio.

Desde então, a população passou a enfrentar dificuldades para acessar plataformas estrangeiras, serviços digitais internacionais e ferramentas de comunicação amplamente usadas no exterior. Mesmo em períodos de normalidade, o Irã mantém um dos sistemas de controle digital mais rígidos do mundo. Diversos sites e aplicativos estrangeiros operam sob restrições permanentes impostas pelo governo.

Ainda não está claro como funcionará o processo de reconexão nem em quanto tempo os usuários terão acesso normalizado à internet. De acordo com o observatório independente NetBlocks, responsável por monitorar conectividade e censura digital ao redor do mundo, a maior parte da população iraniana estava há 87 dias sem acesso amplo à rede internacional. Apenas alguns usuários conseguiam contornar as restrições por meio de redes privadas virtuais (VPNs), muitas vezes caras e de difícil acesso.

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Acordo de paz

Enquanto isso, autoridades iranianas tentam firmar um acordo de paz. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o principal negociador do país foram a Doha para discutir um acordo de cessar-fogo com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdul Rahman Al Thani, disse um funcionário a par da reunião à agência de notícias Reuters.

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As conversas, segundo a fonte, focaram no Estreito de Ormuz — rota vital para o comércio internacional de petróleo bloqueada pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país — e no estoque de urânio enriquecido de Teerã. A questão nuclear é um aspecto-chave das negociações. De um lado, os EUA rejeitam que o regime iraniano mantenha a reserva e mantenha a possibilidade de produzir armas nucleares; do outro, o Irã nega ter esse objetivo e rejeita que o material seja enviado para o exterior.

O funcionário também afirmou à Reuters que o chefe do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, fez parte da delegação para debater a possível liberação de fundos congelados do país — uma das demandas inflexíveis das propostas de paz iranianas. Em paralelo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse nesta segunda que foi possível alcançar conclusões em vários tópicos, mas que o avanço não significa que o regime está “perto de assinar um acordo”.

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