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Após megaoperação, navio Costa Concordia é ‘endireitado’

Agora, navio poderá ser rebocado para um estaleiro, onde será desmontado. Operação custou 800 milhões de dólares

Por Da Redação 17 set 2013, 07h53

Após uma operação que levou dezenove horas para ser concluída, o navio Costa Concordia foi erguido nesta terça-feira. O processo completa um dos mais complexos e caros projetos de recuperação de naufrágios de todos os tempos – e avaliada em 800 milhões de dólares.

Na noite de segunda-feira, os engenheiros responsáveis conseguiram desprender a embarcação do paredão rochoso no qual está encalhado há mais de vinte meses perto da ilha de Giglio, no oeste da Itália. Segundo a rede BBC, o transatlântico foi movido para cima de uma plataforma construída no fundo do oceano, que possuiu a finalidade de estabilizar o navio. O naufrágio ocorrido em 13 de janeiro de 2012 deixou trinta mortos – duas pessoas ficaram desaparecidas. A embarcação transportava mais de 4 200 pessoas no dia do desastre.

O navio de 114 500 toneladas foi endireitado por uma série de enormes cabos e deixado em repouso sobre plataformas submarinas artificias instaladas no leito rochoso do mar. O sucesso da operação foi anunciado em um breve comunicado pelo chefe da Autoridade de Proteção Civil, Franco Gabrielli, enquanto dezenas de moradores, que viveram com os destroços da embarcação por mais de um ano, comemoraram com as equipes de salvamento.

“Acho que toda a equipe está orgulhosa do que alcançou. Muita gente disse que não poderia ser feito”, disse Nick Sloane, engenheiro sul-africano que participou da coordenação da operação. Uma equipe internacional de 500 engenheiros está na ilha desde o ano passado, estabilizando a embarcação para endireitá-la, de modo que o navio possa ser rebocado para um estaleiro onde será desmontado.

Grandes seguradoras do setor marítimo acompanham atentamente a operação de resgate do navio – que tem o comprimento de três campos de futebol. Eventuais problemas na operação poderão ter um impacto significativo sobre futuras apólices.

Enquanto equipes de resgate se concentravam na maior operação desse tipo já realizada, sobreviventes do desastre relembravam as vítimas. “Naturalmente, penso nas pessoas que não conseguiram (sobreviver) e, especialmente, naquelas duas famílias que ainda estão à espera de encontrar os restos mortais de seus entes queridos”, disse Luciano Castro, um jornalista de 49 anos que estava no navio quando ele afundou. “Eles ainda devem estar sob a quilha do Concordia e espero que depois disso, finalmente, os familiares possam ter um túmulo sobre o qual chorar de novo.”

Julgamento – O capitão do navio, Francesco Schettino, foi apontado como um dos principais responsáveis pelo acidente. Ele está sendo julgado por uma corte italiana. Além de ser acusado de aproximar demais o transatlântico da costa, provocando o choque, o capitão ainda deixou o local antes que todos os tripulantes e passageiros fossem salvos. Um áudio em que o comandante Gregorio Maria De Falco, da Capitania dos Portos de Livorno, ordena a Schettino que volte ao navio e informe quantas pessoas precisam de resgate foi divulgado dias depois do desastre. Schettino tenta se esquivar e irrita a autoridade marítima. “Você está se recusando?”, pergunta De Falco. “Volte a bordo, c***!!” Após a divulgação, a frase passou a estampar camisetas e outros objetos na Itália.

Apelidado pela imprensa italiana de “capitão covarde” ou “o homem mais odiado” do país, Schettino enfrenta múltiplas acusações, dentre as quais homicídio culposo múltiplo, abandono de navio, naufrágio, omissão de socorro e danos ao meio ambiente. Até o momento, cinco pessoas foram condenadas, sendo quatro tripulantes e o diretor da empresa proprietária da embarcação. As penas variam de dois anos e dez meses a um ano e meio de prisão. No entanto, nenhum dos condenados foi preso, pois as penas inferiores a dois anos de prisão foram suspensas. No caso das mais longas, cabe apelação, com a possibilidade de serem substituídas por serviços comunitários.

(Com agência Reuters)

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