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Após maior ataque a Kiev em toda a guerra, Rússia e Ucrânia trocam novos bombardeios

Ao menos dez pessoas morreram em ataques ucranianos, enquanto Kiev relatou cinco mortes decorrentes de ataques russos

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 09h48
Após maior ataque a Kiev em toda a guerra, Rússia e Ucrânia trocam novos bombardeios Priorizar nos meus resultados Google

Ao menos dez pessoas morreram em ataques ucranianos contra a Rússia e territórios ocupados por Moscou, informaram autoridades locais nesta sexta-feira, 3, enquanto a Ucrânia relatou cinco mortes em ataques russos.

A troca de ataques acontece um dia após o maior ataque com drones e mísseis contra a capital ucraniana, Kiev, desde o início da invasão russa ao país vizinho, em fevereiro de 2022. Ao menos 30 pessoas morreram e mais de 90 ficaram feridas, segundo serviços de resgate ucranianos.

Nesta sexta-feira, um ataque ucraniano a um mercado na localidade de Tokmak, na parte da região de Zaporizhzhia ocupada pela Rússia, matou cinco pessoas, segundo o governador nomeado pelo Kremlin. Outras duas pessoas morreram em ataques contra as regiões russas de Belgorod e Bryansk, ambas na fronteira com a Ucrânia, segundo as autoridades.

+ Rússia realiza ataque mortal contra Kiev, o maior em toda a guerra

Kiev relatou um ataque na região nordeste de Sumy, que incendiou uma casa e matou quatro pessoas, incluindo uma criança.

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“Infelizmente, duas mulheres, um idoso e uma menina que ainda não tinha completado dois anos morreram. O ataque russo tirou a vida dela e de sua mãe”, declarou Oleg Grygorov, chefe da administração militar regional de Sumy, no Telegram.

Outras três pessoas ficaram feridas no ataque.

Na região centro-leste de Dnipropetrovsk, uma pessoa morreu e outras cinco ficaram feridas, segundo o chefe da administração militar regional, Oleksandr Ganzha, em declaração no Telegram.

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A Força Aérea Ucraniana afirmou nesta sexta-feira que a Rússia lançou dois mísseis e 105 drones contra a Ucrânia durante a noite. Um dia antes, após os grandes ataques contra Kiev, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já havia enfatizado que a Rússia iria “aumentar a pressão sobre o regime de Kiev, para alcançar nossos objetivos estabelecidos”.

Alto custo

A guerra entre Rússia e Ucrânia ultrapassou a marca de 2 milhões de militares mortos ou feridos desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, segundo um estudo divulgado na quarta-feira pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS), sediado em Washington. O levantamento aponta que a maior parte das perdas foi registrada do lado russo, evidenciando o alto custo humano de um conflito que entra em seu quinto ano.

+ Guerra na Ucrânia supera 2 milhões de baixas militares e expõe desgaste russo

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De acordo com a pesquisa, as forças de Moscou acumularam cerca de 1,4 milhão de baixas, das quais aproximadamente 450 mil correspondem a soldados mortos. Já a Ucrânia teria registrado entre 525 mil e 625 mil baixas, incluindo de 125 mil a 150 mil mortos.

Os autores do estudo ressaltam que os números devem ser tratados como estimativas, já que a Rússia é acusada de subnotificar suas perdas e o governo ucraniano não divulga oficialmente o balanço de mortos e feridos. Para chegar às projeções, os pesquisadores utilizaram dados de inteligência dos Estados Unidos, do Reino Unido e de outras fontes independentes.

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Avanço russo perde força

Além das perdas humanas, o relatório conclui que a campanha militar russa atravessa seu momento mais difícil desde o início da invasão. Segundo o CSIS, Moscou perdeu mais território do que conquistou nos meses de abril e maio deste ano, registrando um saldo negativo de aproximadamente 400 quilômetros quadrados — as primeiras perdas territoriais líquidas desde agosto de 2024.

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Os pesquisadores afirmam que o ritmo do avanço russo desacelerou significativamente. Em algumas áreas da linha de frente, as tropas passaram a conquistar menos de 50 metros por dia, enquanto a Ucrânia conseguiu recuperar terreno em fevereiro durante operações ofensivas no sul do país.

Outro fator apontado como favorável aos ucranianos foi a interrupção temporária do uso do sistema de internet via satélite Starlink por tropas russas, após uma decisão inesperada do empresário Elon Musk. Segundo o estudo, a medida reduziu, ainda que por pouco tempo, a intensidade dos ataques com drones e facilitou a movimentação das forças de Kiev.

Mesmo diante do elevado número de baixas, a Rússia conseguiu manter seu efetivo graças a uma série de medidas adotadas pelo presidente Vladimir Putin. Entre elas estão o primeiro recrutamento obrigatório em larga escala desde a Segunda Guerra Mundial, incentivos financeiros para novos soldados e o alistamento de condenados e pessoas endividadas em troca de benefícios judiciais.

O relatório também destaca o envio de mais de 10 mil soldados norte-coreanos entre 2024 e 2025 para ajudar Moscou na retomada da região de Kursk, parcialmente ocupada por forças ucranianas.

Ainda assim, o estudo estima que, em 2026, a Rússia esteja sofrendo entre 30 mil e 34 mil baixas por mês, número superior à capacidade de reposição, calculada em cerca de 27 mil novos recrutas mensais.

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