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Após êxito em Líbia e Costa do Marfim, ONU encara novo desafio na Síria

David Valenzuela.

Nações Unidas, 19 dez (EFE).- A Organização das Nações Unidas termina 2011 com a satisfação de ter feito valer sua liderança para proteger os civis nos conflitos na Líbia e na Costa do Marfim, embora com a decepção de não ter conseguido deter a repressão ao povo sírio por parte do presidente Bashar al Assad.

A primeira parte deste ano será relembrada porque o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, defendeu a necessidade de intervir para proteger a população civil e os valores da Primavera Árabe.

Entretanto, o segundo semestre deixa uma sensação desagradável na organização. Apesar de seus reiterados pedidos para pôr fim à repressão, o regime de Damasco não cessou a violência contra manifestantes e opositores, em uma crise que já conta com mais de 4 mil mortes.

Em entrevista à Agência Efe, uma das professoras de Administração Pública da Universidade de Cornell, Sarah Kreps, afirmou que os respaldos conseguidos na ONU para permitir o uso da força na Líbia e tirar do poder o ex-presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, foram ‘uma medalha’ para o organismo e para Ban, mas a falta de ação perante a Síria é ‘uma mancha’.

Apesar dos pedidos da ação de Ban e os relatórios do Conselho de Direitos Humanos sobre os abusos do governo sírio contra a população, o Conselho de Segurança foi incapaz de condenar Assad ou impor sanções contra seu regime.

A maior demonstração aconteceu em outubro, quando Rússia e China exerceram o veto a uma resolução contra a Síria apresentada pelos europeus e respaldada pelos Estados Unidos, e que também não recebeu o apoio de Brasil, África do Sul, Índia e Líbano.

Perante essa situação, a Liga Árabe tomou a responsabilidade de impor duras sanções a Damasco e propor vários planos de ação, e por isso a ONU assumiu um papel secundário na resolução política do conflito.

Outras fontes reconheceram à Efe que no restante do ano não se espera nenhum avanço no Conselho de Segurança, cuja presidência é ocupada em dezembro pela Rússia, país que vê na Síria um de seus últimos pontos de influência no Oriente Médio.

Apesar deste entrave, o organismo e particularmente Ban têm motivos de satisfação ao fechar 2011 com vários ditadores a menos no poder, como o tunisiano Zine el Abidine Ben Ali, o egípcio Hosni Mubarak e o líbio Muammar Kadafi, e com a gratificação de ver em Haia o ex-presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo.

‘A ação da ONU na Costa do Marfim demonstra que a organização não é neutro, mas defende valores e não deve ter medo de assumir uma posição por eles’, disseram à Efe fontes diplomáticas do Conselho de Segurança.

‘Que ano diferente temos agora!’, exclamou um diplomata da ONU, quando em 5 de dezembro Gbagbo se sentou no banco dos réus no Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, pois as novas autoridades marfinianas permitiram que seu ex-presidente seja julgado pelo alto tribunal, ao contrário do que aconteceu em outros casos anteriormente.

Outro assunto não encerrado na ONU em 2011 é a histórica solicitação de ingresso apresentada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que da mesma forma que as conversas de paz com os israelenses, está em um ponto morto difícil de ser superado no Conselho.

De qualquer forma, a defesa dos valores da Primavera Árabe proporcionou a Ban um renovado ímpeto para seu segundo mandato, para o qual alcançou um respaldo unânime e que começará a partir de janeiro com vários desafios pela frente.

Entre eles, estão a evolução da situação na Síria, o recomeço do processo de paz no Oriente Médio, os efeitos da solicitação palestina, a luta contra a mudança climática e inclusive uma complicada situação financeira para a organização. EFE