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Após escalada de ataques, EUA e Irã concordam em suspender disparos e renovar negociações

Catar deve sediar nova rodada de discussões para tratar de disputas sobre o Estreito de Ormuz, no centro das recentes violações do cessar-fogo

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jun 2026, 08h39
Após escalada de ataques, EUA e Irã concordam em suspender disparos e renovar negociações Priorizar nos meus resultados Google

Estados Unidos e Irã concordaram em suspender trocas de ataques, anunciou uma fonte do governo americano nesta segunda-feira, 29, e planejam reiniciar as negociações. Nos úlimos dias, as duas partes trocaram acusações sobre violações do cessar-fogo, uma escalada das hostilidades que colocou em risco o memorando de entendimento assinado há cerca de dez dias.

“As discussões técnicas estão programadas para continuar sobre todas as áreas do memorando de entendimento”, informou a fonte do governo americano às agências de notícias Reuters e AFP em um e-mail. “As partes vão recuar no momento e os navios poderão transitar livremente” pelo Estreito de Ormuz, acrescentou.

O portal de notícias americano Axios informou que novas negociações acontecerão na terça-feira, 30, em Doha para solucionar as disputas sobre Ormuz, por onde, em um período normal, trafega quase 20% da produção global de combustíveis. A nevrálgica rota marítima foi reaberta na semana passada, depois de permanecer fechada pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, em retaliação aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. A paralisação da navegação afetou os mercados globais com a disparada do petróleo, que ficou por meses acima de US$ 100.

Disputas sobre o estreito

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, voltou a afirmar no domingo que apenas o Irã é “responsável” pela gestão do estreito, ecoando afirmações de outras autoridades do país. Ele advertiu que adotar medidas diferentes “levará apenas a situações mais complicadas e a atrasos na reabertura do Estreito de Ormuz”.

O Irã não gostou do anúncio de Omã de uma rota próxima à sua costa, apresentada como uma iniciativa coordenada com uma agência das Nações Unidas responsável pela segurança marítima. Dezenas de embarcações utilizaram a rota durante a semana passada.

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Teerã permitiu a passagem por um único corredor próximo à sua costa, mas ameaçou atacar qualquer navio que viole suas condições. Desde a última quinta-feira, dois navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida nesta passagem marítima, incidentes que o governo dos Estados Unidos atribuiu à Guarda Revolucionária Islâmica e ao qual respondeu com bombardeios contra a nação persa.

Na madrugada de domingo, a guarda anunciou o lançamento de mísseis e drones em direção ao Kuwait e ao Bahrein.

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O imbróglio do Líbano

Israel prosseguiu com os ataques ao Líbano no domingo, apesar da assinatura, dois dias antes, de um acordo que visa uma “paz duradoura” entre os dois países, conforme anunciado em Washington.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram em comunicado que o Exército israelense destruiu um longo túnel construído no sul libanês pelo Hezbollah, milícia xiita aliada do Irã.

“O túnel, com mais de 200 metros de comprimento e mais de 25 metros de profundidade, continha centenas de armas, assim como vários poços de lançamento destinados a atacar o Estado de Israel e seus civis”, afirma o comunicado.

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O Ministério da Saúde do Líbano informou que duas pessoas ficaram feridas depois que “o inimigo israelense” lançou uma granada em um local no sul do país, de onde tropas israelenses deveriam se retirar, segundo os termos acordados. O pacto também balançou quando o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, afirmou no domingo que o texto “não será adotado”, por considerar que não garante os direitos de seu país. (O documento condiciona a retirada das forças de Israel ao desarmamento do Hezbollah, uma exigência antiga que Beirute nunca conseguiu implementar.)

Nesta segunda, após os novos ataques israelenses, o Hezbollah declarou em comunicado que se reservava o direito à autodefesa. A escalada das tensões por lá também afeta as negociações entre Estados Unidos e Irã, uma vez, que os aiatolás insistiram em incluir no memorando de entendimento a exigência do fim de todas as frentes de batalha, incluindo no Líbano.

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