Após demitir ministro da Defesa, presidente da Venezuela substitui todo o alto comando militar
A interina Delcy Rodríguez reorganiza o governo após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em operação dos EUA
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a substituição de todos os seus altos comandantes militares na noite de quinta-feira 19, a mais recente de uma série de mudanças no governo desde que o ex-ditador Nicolás Maduro foi capturado em uma operação militar dos Estados Unidos, em janeiro.
Ela comunicou as mudanças em uma publicação nas redes sociais um dia após demitir o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, que esteve à frente das Forças Armadas chavistas durante mais de uma década e era antigo aliado de Maduro. Ele foi substituído por Gustavo González López, que após a queda do ditador havia sido designado como chefe da guarda presidencial e da temida direção de contrainteligência.
“Anuncio ao país a nomeação dos integrantes do alto comando militar renovado que acompanharão o ministro do Poder Popular para a Defesa”, escreveu Delcy, que foi vice-presidente de Maduro, o autocrata esquerdista que agora está preso em Nova York e responde junto com sua esposa, Cilia Flores, a acusações relacionadas a narcotráfico.
Entre as mudanças está a substituição do general Domingo Hernández Lares, que ocupava o segundo posto mais alto das Forças Armadas. Ele será substituído pelo major-general Rafael Prieto Martínez, que atuava como inspetor-geral militar.
Mudanças sob pressão dos EUA
Desde que assumiu a presidência interina da Venezuela, em janeiro, Delcy tem promovido mudanças no governo e em leis econômicas, incluindo a abertura do setor de petróleo a empresas estrangeiras e a aprovação de uma anistia para presos políticos.
Sob pressão dos Estados Unidos e até mesmo sob ameaça de violência, ela tem a missão de liderar um país com as maiores reservas de petróleo do mundo, mas com uma economia em frangalhos e escassez generalizada de alimentos, medicamentos e outros itens básicos.
A líder venezuelana promulgou uma lei de anistia histórica para libertar presos políticos encarcerados sob o regime de Maduro e alterou as regulamentações de petróleo e mineração de acordo com as exigências do governo de Donald Trump para acesso às vastas riquezas naturais do país.
O presidente americano afirmou que, na prática, ele controla a Venezuela e “permitirá” que Delcy permaneça no poder enquanto ela servir aos interesses dos Estados Unidos.
A interina encontra-se na delicada posição de tentar satisfazer tanto Trump quanto os venezuelanos ainda leais a Maduro. As Forças Armadas venezuelanas, que juraram lealdade a ela, são uma entidade poderosa. Elas supervisionam empresas de petróleo, mineração e distribuição de alimentos, bem como operações alfandegárias e ministérios-chave do governo, em meio a alegações de abuso e corrupção.





