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Após ataque, governo americano vai revisar procedimentos de segurança em quartéis

Atirador que abriu fogo em base naval na capital americana usou arma comprada legalmente. Aaron Alexis apresentava problemas mentais

Por Da Redação Atualizado em 10 dez 2018, 10h51 - Publicado em 17 set 2013, 18h52

O governo americano ordenou que os procedimentos de segurança em instalações militares depois que um atirador abriu fogo em uma base naval em Washington, nesta segunda-feira. O secretário de Defesa, Chuck Hagel, planeja ordenar uma revisão dos procedimentos de segurança física nas instalações no mundo todo. A Casa Branca anunciou uma avaliação dos procedimentos de segurança para prestadores de serviço. Uma terceira frente foi divulgada pela Marinha, que ordenou uma revisão “rápida” da segurança nas instalações da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais.

Segundo investigadores, Aaron Alexis, de 34 anos, entrou com uma escopeta na base naval de Washington, na manhã de segunda e matou doze pessoas antes de ser morto por policiais. Ele havia servido na Marinha entre 2007 e 2011. Morador de Forth Worth, Texas, ele havia mudado recentemente para a capital onde passou a trabalhar para uma empresa terceirizada contratada pela Marinha para atualizar seus sistemas de intranet. Alexis começaria o trabalho na base naval ainda este mês, por isso utilizou um cartão funcional para entrar no complexo sem ser revistado.

Segundo o jornal The Washington Post, fontes do Pentágono afirmaram que a revisão – que deverá ser anunciada nesta quarta – teria como foco os procedimentos de segurança física, como as revistas feitas nas entradas das instalações. Chefes militares estão sendo consultados sobre os parâmetros a serem adotados. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que serão revistos os “padrões adotados para contratados e funcionários em órgãos federais”.

Arma – Nesta terça, a polícia de Washington informou que o ex-cabo atingiu suas vítimas no térreo, no terceiro e quarto andares de um dos prédios do complexo administrativo Navy Yard. Inicialmente, ele baleou um guarda com uma escopeta calibre 12 e depois pegou uma ou duas pistolas que estavam com o vigia. A escopeta Remington 870 havia sido comprada legalmente.

A arma foi adquirida na véspera do ataque, junto com duas caixas de munição, em uma loja em Lorton, Virgínia, no sul da capital. O advogado do estabelecimento afirmou que foi feita uma checagem de antecedentes e o banco de dados aprovou a venda. Alexis não aparentava ter nenhuma condenação ou doença mental formalmente relatada que o teriam impedido de comprar uma arma, disse o advogado. Acrescentou que investigadores do FBI visitaram a loja na noite de segunda e verificaram os arquivos do estabelecimento e os vídeos de segurança.

A chefe da polícia de Washington divulgou mais detalhes nesta terça-feira sobre o massacre. Em entrevista coletiva, Cathy Lanier disse que policiais chegaram ao local dois minutos depois de serem acionados e sete minutos antes de equipes especializadas. Após entrarem no prédio, os policiais trocaram tiros com Alexis durante cerca de meia hora, afirmou. “Ele estava determinado a matar o maior número possível de pessoas”, disse a chefe de polícia.

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Problemas – O Washington Post revelou, citando fontes na Marinha, que Alexis, de 34 anos, era paranoico e dizia que “ouvia vozes”. Ele estaria recebendo tratamento custeado pelo Departamento de Veteranos. Ainda não se sabe se ele tomava alguma medicação.

O jornal The New York Times informou que Alexis, que teve um histórico problemático na Marinha entre 2007 e 2011, deixou a corporação com uma “baixa honrosa”, apesar de ter se envolvido em pelo menos oito incidentes de mau comportamento, entre eles ter efetuado um disparo no teto de seu apartamento, em 2010. De acordo com o jornal, o atirador apresentava problemas mentais há pelo menos dez anos. Em 2004, Alexis havia sido preso por atirar nos pneus de um carro estacionado perto da casa em que morava e, em 2008, foi novamente preso por arrumar briga em uma boate.

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O jornal cita ainda um incidente recente, ocorrido no mês passado, em Newport, no estado de Rhode Island. Na ocasião, Alexis, hospedado em um hotel, chamou a polícia para se queixar de ouvir vozes e disse que inimigos estavam mandando “vibrações” para impedir que ele dormisse. Naquela mesma noite, ele mudou de hotel três vezes.

O pai de Alexis contou a autoridades que o filho começou a apresentar distúrbios logo depois dos atentados de 11 de setembro. Ele teria ajudado nos trabalhos de resgate em Nova York e depois disso, segundo o pai, passou a sofrer com estresse pós-traumático.

Pessoas que conheciam Alexis disseram estar surpresas com o ataque. “É incrível que isso tenha acontecido, ele era um sujeito tranquilo”, disse Michael Ritrovato à rede americana CNN.

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Vítimas – Nesta terça, todas as doze vítimas do massacre foram identificadas. São elas: Michael Arnold, de 59 anos, Sylvia Frasier, de 53, Kathleen Gaarde, de 62, Frank Kohler, de 50, Vishnu Pandit, de 61, Kenneth Proctor, de 46, Martin Bodrog, de 54, Arthur Daniels, de 51, John Roger Johnson, de 73, Mary Francis Knight, de 51, Gerald L. Read, de 58, Richard Michael Ridgell, de 52 anos.

Segundo a BBC, três feridos no massacre continuam internados. O Washington Hospital Center informação que a recuperação das vítimas tende a ser rápida. Outras cinco pessoas que sofreram ferimentos leves receberam alta já na segunda-feira.

Nesta terça-feira, o Washington Navy Yard, complexo da Marinha no Sul da capital americana, foi reaberto apenas para funcionários cujo trabalho é considerado essencial. As ruas próximas ao local foram liberadas.

O complexo administrativo abriga o centro de operações navais do país e gabinetes da Justiça naval. Cerca de 3 000 pessoas trabalham no local. Inicialmente, a polícia divulgou que até três pessoas poderiam estar entre os autores do ataque, mas ao final do dia, a informação mudou e a polícia passou a afirmar que as investigações apontavam para um único responsável.

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