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Após ameaças de Trump, guerrilheiros anunciam exercícios armados na Colômbia

Exército de Libertação Nacional (ELN) citou risco de 'intervenção imperialista' e proibiu circulação de civis durante manobras militares no país

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 dez 2025, 17h49
Após ameaças de Trump, guerrilheiros anunciam exercícios armados na Colômbia Priorize VEJA no Google

O Exército de Libertação Nacional (ELN) — principal grupo guerrilheiro ainda ativo na Colômbia — ordenou nesta sexta-feira, 12, que civis em territórios dominados por ele permaneçam em suas casas por 72 horas para permitir exercícios militares. A medida é descrita pelos seus líderes como uma resposta às ameaças de “intervenção imperialista” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A medida entra em vigor a partir das 6h da manhã de domingo, 14. Em comunicado, o ELN explicou que “é necessário que os civis não se misturem com os combatentes para evitar acidentes”, sem dar mais explicações. O anúncio ocorre num contexto de tensões entre Bogotá e Washington. Trump afirmou no início deste mês que qualquer país que produza cocaína e a venda para os EUA está “sujeito a ataques”.

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Na quarta-feira, 10, o republicano escalou as ameaças. Em comentários a repórteres na Casa Branca, ele alegou que “a Colômbia está produzindo muitas drogas” e mandou um recado ao presidente do país: “É melhor ele se conscientizar ou será o próximo. Ele será o próximo em breve. Espero que ele esteja ouvindo, ele será o próximo”, disse.

Há muito que Trump alega que Petro é “líder do tráfico de drogas” e “bandido”, embora nunca tenha apresentado provas. Em resposta, o líder colombiano afirmou que “Trump está muito mal informado sobre a Colômbia”, acrescentando: “É uma vergonha, porque ele desconsidera o país que mais entende de tráfico de cocaína; parece que seus interlocutores o estão enganando completamente”. Ele também informou que Bogotá apreendeu 2.700 toneladas de cocaína desde o início do seu mandato, em agosto de 2022.

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Em paralelo, intensifica-se o clima de hostilidade entre EUA e Venezuela, reflexo do envio de forças americanas ao Caribe e Pacífico em suposto cerco ao narcotráfico. Ainda na quarta, Trump anunciou a apreensão de um petroleiro na costa venezuelana. O ditador Nicolás Maduro condenou o “ato de pirataria internacional”. O chavista também instou que agricultores e pescadores se preparassem para “quebrar os dentes” dos Estados Unidos.

O que é ELN? 

O ELN, ou Exército de Libertação Nacional, foi fundado na década de 1960 como um grupo marxista e nacionalista. Apesar de comprometer-se historicamente com negociações de paz — inclusive em tentativas fracassadas com múltiplos governos colombianos — continua fortemente envolvido no tráfico de cocaína e em disputas territoriais com outros grupos armados, como dissidentes das FARC.

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Com uma força de cerca de 5.800 combatentes, o ELN está presente em mais de um quinto dos mais de 1.100 municípios da Colômbia, de acordo com o centro de pesquisas Insight Crime.

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