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Após absolvição, Zimmerman pode enfrentar processo civil

Protestos continuam nesta segunda exigindo justiça por morte de jovem negro

A absolvição de George Zimmerman, acusado pela morte do jovem negro Trayvon Martin pode não encerrar o caso, uma vez que o ex-vigilante voluntário ainda poderá ser julgado na esfera civil. O veredicto provocou fortes reações no país e milhares de pessoas foram às ruas no domingo e na manhã desta segunda-feira exigindo justiça.

A maioria das manifestações foi pacífica, com exceção de Los Angeles, onde baderneiros atacaram a polícia com pedras. Milhares protestaram em São Francisco, Chicago, Denver, Baltimore, Detroit e Nova York, onde os manifestantes tomaram Manhattan e ocuparam a Times Square. Ao menos doze pessoas foram presas em Nova York, segundo a polícia. Na Flórida, onde aconteceu o crime, os manifestantes gritavam que o caso não havia terminado.

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A família de Martin ainda pode levar o caso à esfera civil, e o Departamento de Justiça informou no domingo dizendo que a divisão de direitos civis ainda tem uma investigação aberta sobre a morte do adolescente. O procurador-geral Eric Holder deve falar sobre o caso nesta terça-feira.

Caso – Zimmerman foi absolvido pela morte de Martin na noite de sábado, após duas semanas de julgamento. O júri, composto por seis mulheres, deliberou durante 16 horas até chegar ao veredicto unânime. Zimmerman, de mãe peruana, poderia pegar até prisão perpétua pela morte de Martin, ocorrida em 2012.

A promotoria retratou Zimmerman como um vigilante comunitário que “se achava policial” e que perseguiu Martin, um estudante de 17 anos sem passagem pela polícia, por vê-lo caminhando na chuva com um capuz na cabeça e presumir que o rapaz “não era nada bom”. Zimmerman chegou a ligar para a polícia e recebeu a orientação de não perseguir o “suspeito”, mas não obedeceu, e abordou o rapaz. O promotor Bernie de la Rionda descreveu a vítima como um rapaz inocente identificado erroneamente como um criminoso por Zimmerman, “que o matou porque quis”. Na sustentação oral, sexta-feira, o promotor John Guy tentou mostrar que o vigilante agiu motivado pelo ódio e mostrou “indiferença à vida humana”.

Porém, sobre a decisão final do júri pesou mais a versão apresentada pelo advogado de Zimmerman, segundo a qual o vigia agiu em legítima defesa. Segundo a defesa, Martin deu um soco no nariz de Zimmerman e o empurrou. Zimmerman caiu, continuou sendo agredido e, por isso, atirou. Imagens divulgadas em março de 2012 mostraram o ex-vigilante saindo algemado de uma viatura policial sem nenhum ferimento visível em seu rosto ou em seu corpo. Dias depois, uma versão do vídeo com mais qualidade de imagens apontou ferimentos na cabeça do vigilante e indicou que seu nariz estava inchado. Zimmerman disse a investigadores que Martin o atacou e bateu sua cabeça no chão várias vezes antes de ser atingido. Durante o julgamento, uma médica classificou os ferimentos de “insignificantes” e disse que não ameaçavam a vida do réu. Outro especialista ouvido como testemunha disse acreditar que o nariz de Zimmerman chegou a ser quebrado. Também endossou a tese do réu ao dizer que a trajetória da bala mostra que Martin estava por cima do vigilante quando foi atingido.

O assassinato de Martin provocou intensos debates sobre a questão racial e também sobre o controle de armas nos Estados Unidos. A polícia demorou 44 dias para prender Zimmerman, em parte porque o vigia invocou uma lei estadual de 2005 que autoriza o uso de força letal em caso de ameaça à vida. O caso também foi explorado politicamente. À época, o presidente Barack Obama disse que, se tivesse um filho, ele se pareceria com Martin, o que lhe valeu críticas de republicanos.