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Apoiados pelo Irã, rebeldes hutis tomam ilha estratégica em rota vital de transporte de petróleo

Controle é parte da ofensiva lançada na semana passada pelo grupo rebelde para dominar rota marítima crucial que liga Ásia e Europa

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 set 2026, 10h06 | Atualizado em 11 set 2026, 12h44
Apoiados pelo Irã, rebeldes hutis tomam ilha estratégica em rota vital de transporte de petróleo Priorize VEJA no Google

Rebeldes hutis do Iêmen tomaram, nesta sexta-feira, 11, a ilha de Perim, no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, e passaram a controlar a passagem. O grupo, no entanto, prometeu respeitar a “livre navegação”, exceto para navios da Arábia Saudita, na via que dá acesso ao Mar Vermelho a partir do Oceano Índico.

O controle da ilha é parte da ofensiva lançada na semana passada pelo grupo rebelde – financiado pelo Irã e que domina amplas regiões do Iêmen – para controlar a rota marítima crucial que liga a Ásia e a Europa.

“Os navios que transportavam os combatentes houthis chegaram à ilha de Perim, depois que as forças do governo se retiraram ontem”, quinta-feira, informou um funcionário do governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita à agência de notícias AFP. “Os hutis concluíram a tomada da área de Bab el-Mandeb e da ilha de Perim, situada no centro do estreito”.

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Na quinta-feira 10, os hutis já haviam tomado o porto da cidade iemenita de Mocha em uma tentativa de obter o controle total da costa do Mar Vermelho. Além dele, os hutis também reivindicam o controle da cidade de Hays, que faz uma interseção entre três províncias no Iêmen, e do acampamento Khalid ibn al-Walid, a maior base militar da região.

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Bab el-Mandeb

O Estreito de Bab el-Mandeb ganhou ainda mais importância desde o início da guerra no Oriente Médio, em fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias iranianas contra as monarquias do Golfo. Esse estreito, por onde passa cerca de 8% do petróleo consumido no planeta, liga a Ásia à Europa pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez.

Um integrante do gabinete político dos hutis tentou, no entanto, acalmar temores globais.

“A liberdade de navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e em Bab el-Mandeb são seguros e organizados”, disse Hazem al Assad à agência de notícias Al Araby al Jadeed.

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A tomada da costa oeste do Iêmen e de algumas ilhas no mar pelo grupo rebelde seria um grande desafio para a Arábia Saudita e para os Estados Unidos, já que aproximaria o Irã e seus aliados do controle total sobre vias essenciais para o transporte marítimo ocidental naquele lado do mundo.

A passagem de Bab el-Mandeb ganhou importância redobrada desde o início da guerra no Oriente Médio, devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz por parte do Irã, no outro lado da Península Arábica. A rota marítima respondia por 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural antes da guerra.

Ao assumir o controle de mais partes da costa do Mar Vermelho, o objetivo dos hutis é encontrar mais um jeito de pressionar a Arábia Saudita e os americanos a concordarem com um pacto que suspenda o bloqueio aos petroleiros iranianos no Golfo — medida adotada por Washington em contrapartida ao fechamento do Estreito de Ormuz.

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Analistas acreditam que a redução das tensões neste momento parece pouco provável, com os hutis tentando abrir uma segunda frente na guerra entre Irã e Estados Unidos, além da batalha já longa — desde fevereiro deste ano — pelo controle de Ormuz.

Tensão entre hutis e Arábia Saudita

As hostilidades começaram em julho, quando os hutis desafiaram o controle de Riad sobre o espaço aéreo iemenita ao permitir que um avião iraniano pousasse no Iêmen. O governo do país, reconhecido pela comunidade internacional, respondeu com um ataque ao aeroporto.

A fase mais recente da escalada veio na semana passada, quando os hutis atacaram instalações de energia e cidades do sul da Arábia Saudita usando drones e mísseis balísticos, após o colapso, em julho, do cessar-fogo firmado em 2022, em meio à crescente instabilidade regional.

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Em resposta, as forças militares do reino lançaram pelo menos 40 ataques na última quarta-feira 9. “Aviões sauditas executaram 32 ataques aéreos contra diversas áreas das províncias de Marib, Al Jawf, Taiz e Hodeida nas últimas horas”, informou o canal de televisão rebelde Almasirah. Algumas horas depois, a emissora relatou uma dezena de bombardeios adicionais.

Os combates já deixaram mais de 500 mortos no Iêmen, segundo um balanço da agência de notícias AFP. O número inclui pelo menos 216 soldados do governo e 278 combatentes hutis, além de 29 civis.

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