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‘Apocalipse do metrô’ pode custar quase meio milhão de empregos em NY

Autoridade de Transporte Metropolitano informou que precisará cortar serviços em 40% se não conseguir 12 bilhões de dólares em auxílio federal

Por Da Redação Atualizado em 25 nov 2020, 19h41 - Publicado em 26 nov 2020, 08h01

A Autoridade de Transporte Metropolitano da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, informou nesta quarta-feira, 25, que precisará de 12 bilhões de dólares em auxílio federal para manter o funcionamento da malha metroviária. Do contrário, cerca de 40% dos serviços serão cortados para arcar com a perda de passageiros por conta da pandemia de coronavírus.

A autoridade nova-iorquina está com os dias contados para resolver o dilema, já que deve apresentar o plano de gastos para o próximo ano até o dia 31 de dezembro. Sem a ajuda emergencial, será preciso recorrer a cortes como a redução do serviço nos finais de semana, a eliminação de linhas de ônibus e a redução pela metade do funcionamento de duas linhas principais para resolver o buraco financeiro.

A agência que opera metrô, ônibus e dois trens urbanos diz que o plano “apocalíptico”, apesar de ser o pior cenário, é necessário, já que o número de passageiros teve redução de 70% em relação aos níveis pré-pandemia. Mesmo com a posse em janeiro do presidente eleito Joe Biden, defensor do transporte público, não está claro se o Congresso vai aprovar novos gastos para estimular a economia.

Deputados e senadores discutem uma possível segunda rodada de auxílio, sem muitos avanços, desde o primeiro pacote de 2,2 trilhões de dólares emitido no primeiro semestre. A Autoridade de Transporte Metropolitano de Nova York garantiu 4 bilhões da bolada, mas se os republicanos mantiverem o controle do Senado, a conquista dos 12 bilhões extra de que precisa é menos provável.

A consultora McKinsey & Company projeta que a agência terá um déficit de 16,4 bilhões de dólares até 2024 e que, mesmo no melhor cenário, o número de passageiros só deve voltar a 90% do total pré-pandemia. Com o recente aumento do número de casos de Covid-19 em Nova York e a falta de previsão de quando uma vacina será distribuída, não é possível saber com que rapidez o número de passageiros voltará a subir.

A proposta de reduzir o serviço de fim de semana pode elevar tempos de espera entre os trens a 15 minutos, eliminando algumas linhas por completo. Enquanto isso, até um quarto de todas as rotas de ônibus podem ser afetadas. O transporte ferroviário pode ter algumas linhas reduzidas e outras cortadas totalmente. A agência deve fornecer mais detalhes no mês que vem, antes de anunciar o orçamento para 2021, mas disse que pode iniciar o desmonte já em maio.

As medidas devem prejudicar a recuperação econômica pós-pandemia da região. De acordo com o Rudin Center for Transportation, da Universidade de Nova York (NYU), o esvaziamento do sistema de transporte público pode custar até 450.000 empregos à cidade, que também perderá 50 bilhões de dólares em arrecadação. Líderes sindicais já alertaram para uma possível greve, que levará à interrupção do serviço.

O plano também pode fazer com que todo o sistema entre na chamada “espiral da morte”: passageiros confiariam cada vez mais nos metrôs e ônibus, evitando o serviço e exacerbando a crise financeira da agência. Além disso, vai coincidir com um aumento de 4% nas tarifas, já programado, o que pode tornar o retorno de passageiros ainda mais difícil.

Nesta quarta-feira, a agência conseguiu um pequeno respiro, avançando com planos de fazer um empréstimo de 2,9 bilhões de dólares da Reserva Federal (Fed). O senador nova-iorquino Chuck Schumer, líder do Partido Democrata na casa legislativa, disse que está “trabalhando muito duro” para salvar o metrô da cidade. Espera-se que um direcionamento seja apresentado em algumas semanas, quando o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, liderar a votação sobre o corte de gastos no sistema de transporte.

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