Apesar de cessar-fogo, Israel alerta que operação militar no Líbano não acabou
Menos de 24 horas após entrar em vigor a trégua frágil, acusações de violação parte a parte colocam em dúvida um acordo para a paz duradoura
A operação militar no Líbano “não terminou”, afirmou nesta sexta-feira, 17, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, menos de 24 horas depois da entrada em vigor de um cessar-fogo de dez dias nos combates com a milícia libanesa Hezbollah, apoiada pelo Irã.
“As manobras em terra no Líbano e os ataques contra o Hezbollah permitiram alcançar muitos alvos”, mas a operação “não terminou”, declarou o ministro.
Além disso, Katz advertiu que os milhares de civis libaneses deslocados que estão voltando para suas casas após o início da trégua podem ser obrigados a sair novamente “se os combates forem retomados”.
A única ponte que ainda permite atravessar o rio Litani para acessar o sul do Líbano amanheceu engarrafada. De acordo com a agência de notícias AFP, os motoristas aguardam durante horas com a esperança de voltar para casa após o início da trégua. Mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas devido aos bombardeios na região, considerada um reduto do Hezbollah.
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), no entanto, advertiram que mantêm sua presença na região e pediu que os libaneses não retornem para o sul do país. O Exército do Líbano orientou os deslocados a não voltarem para suas casas tão cedo.
Isso porque a trégua é instável. Pelo menos treze pessoas morreram em bombardeios israelenses na cidade libanesa de Tiro poucos minutos antes do cessar-fogo entrar em vigor na noite de quinta-feira, informou nesta sexta-feira um funcionário local à AFP. Outras 35 pessoas ficaram feridas e as equipes de resgate procuram “15 desaparecidos”.
O Exército do Líbano acusou Israel de cometer “atos de agressão” e bombardeios em violação da trégua, enquanto o Hezbollah anunciou ter atacado soldados israelenses em resposta. O grupo libanês afirmou que seus combatentes têm “o dedo no gatilho” em caso de desrespeito aos termos do acordo, e condicionou o respeito ao cessar-fogo à retirada das tropas de Israel do país.
Negociações
Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, devem visitar a Casa Branca para uma reunião conjunta com Donald Trump “nos próximos dias”, anunciou o presidente americano.
Apesar da perspectiva de que as negociações que começaram na terça 14, com o encontro dos embaixadores dos dois países em Washington, o o confronto é, na prática, travado entre o Exército israelense e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e com forte presença no sul libanês. As forças armadas do Líbano não participam diretamente dos combates.
As tensões entre as nações vizinhas remontam à década de 1970, com episódios marcantes como as incursões militares israelenses em 1978 e 1982, em resposta a ataques de milícias pró-Palestina.
O Líbano foi arrastado para a a atual guerra — iniciada em 28 de fevereiro com ataques israelenses e americanos ao Irã — no dia 2 de março, quando o movimento xiita abriu uma frente de combate contra Israel em retaliação à morte do líder supremo Ali Khamenei.
Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão.







