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Apesar de cessar-fogo, Israel alerta que operação militar no Líbano não acabou

Menos de 24 horas após entrar em vigor a trégua frágil, acusações de violação parte a parte colocam em dúvida um acordo para a paz duradoura

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 09h54
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A operação militar no Líbano “não terminou”, afirmou nesta sexta-feira, 17, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, menos de 24 horas depois da entrada em vigor de um cessar-fogo de dez dias nos combates com a milícia libanesa Hezbollah, apoiada pelo Irã.

“As manobras em terra no Líbano e os ataques contra o Hezbollah permitiram alcançar muitos alvos”, mas a operação “não terminou”, declarou o ministro.

Além disso, Katz advertiu que os milhares de civis libaneses deslocados que estão voltando para suas casas após o início da trégua podem ser obrigados a sair novamente “se os combates forem retomados”.

A única ponte que ainda permite atravessar o rio Litani para acessar o sul do Líbano amanheceu engarrafada. De acordo com a agência de notícias AFP, os motoristas aguardam durante horas com a esperança de voltar para casa após o início da trégua. Mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas devido aos bombardeios na região, considerada um reduto do Hezbollah.

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As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), no entanto, advertiram que mantêm sua presença na região e pediu que os libaneses não retornem para o sul do país. O Exército do Líbano orientou os deslocados a não voltarem para suas casas tão cedo.

Isso porque a trégua é instável. Pelo menos treze pessoas morreram em bombardeios israelenses na cidade libanesa de Tiro poucos minutos antes do cessar-fogo entrar em vigor na noite de quinta-feira, informou nesta sexta-feira um funcionário local à AFP. Outras 35 pessoas ficaram feridas e as equipes de resgate procuram “15 desaparecidos”.

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O Exército do Líbano acusou Israel de cometer “atos de agressão” e bombardeios em violação da trégua, enquanto o Hezbollah anunciou ter atacado soldados israelenses em resposta. O grupo libanês afirmou que seus combatentes têm “o dedo no gatilho” em caso de desrespeito aos termos do acordo, e condicionou o respeito ao cessar-fogo à retirada das tropas de Israel do país.

Negociações

Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, devem visitar a Casa Branca para uma reunião conjunta com Donald Trump “nos próximos dias”, anunciou o presidente americano.

Apesar da perspectiva de que as negociações que começaram na terça 14, com o encontro dos embaixadores dos dois países em Washington, o o confronto é, na prática, travado entre o Exército israelense e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e com forte presença no sul libanês. As forças armadas do Líbano não participam diretamente dos combates.

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As tensões entre as nações vizinhas remontam à década de 1970, com episódios marcantes como as incursões militares israelenses em 1978 e 1982, em resposta a ataques de milícias pró-Palestina.

O Líbano foi arrastado para a a atual guerra — iniciada em 28 de fevereiro com ataques israelenses e americanos ao Irã — no dia 2 de março, quando o movimento xiita abriu uma frente de combate contra Israel em retaliação à morte do líder supremo Ali Khamenei.

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Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão.

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