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Aos 95, ex-enfermeiro de Auschwitz vai a julgamento na Alemanha

Hubert Zafke é acusado de cumplicidade nas mortes de presos assassinados nas câmaras de gás do campo de Auschwitz entre 15 de agosto e 14 de setembro de 1944

A Justiça da Alemanha julgará um ex-enfermeiro de Auschwitz, de 95 anos, por cumplicidade em 3.681 mortes durante o período em que trabalhou nesse campo de extermínio construído na Polônia ocupada. A Audiência de Neubrandebnurg, no leste da Alemanha, anunciou nesta segunda-feira a data do início do julgamento, 29 de fevereiro, mas não informou quantas audiências estão previstas, já que isso está condicionado ao estado de saúde do acusado.

Hubert Zafke é acusado de cumplicidade nas mortes de presos assassinados nas câmaras de gás de Auschwitz entre 15 de agosto e 14 de setembro de 1944, período em que serviu na brigada de enfermaria do campo nazista. O processo contra o réu foi aberto em março de 2015 e inicialmente o julgamento aconteceria em meados de ano passado, mas a defesa do acusado apresentou recurso alegando seu delicado estado de saúde. Uma avaliação médica determinou que suas faculdades psíquicas são parcialmente limitadas para acompanhar o processo, mas o laudo não evitará o julgamento.

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Justiça alemã condena “contador de Auschwitz” a 4 anos de prisão

O ex-enfermeiro de Auschwitz já foi julgado na Polônia por seu papel nos crimes do nazismo em 1948 e foi condenado a três anos de prisão. Após cumprir essa pena ele voltou a sua cidade de origem na Alemanha, Neubrandenburg, onde refez sua vida como agricultor até se aposentar.

Novos processos – O processo faz parte dos julgamentos tardios por cumplicidade com o nazismo impulsionados na Alemanha após o caso do ucraniano John Demjanjuk, ex-guarda voluntário em Sobibor, que foi condenado em 2011 a cinco anos de prisão. Sob esse precedente foram abertos nos últimos anos outras ações, não sujeitas à responsabilidade direta, nos assassinatos do nazismo.

Alguns destes novos processos foram arquivados por causa da avançada idade e do estado de saúde dos réus, enquanto outros foram concluídos com sentenças simbólicas. Entre estes últimos casos está o do chamado “contador de Auschwitz”, o ex-membro da SS (Schutzstaffel, o esquadrão de elite nazista), Oskar Gröning, de 94 anos, que foi condenado em abril de 2015 a quatro anos de prisão por cumplicidade na morte de 300.000 judeus. O ucraniano Demjanjuk, que tinha sido deportado dos Estados Unidos à Alemanha após seus advogados esgotarem todos os recursos legais, morreu em um asilo da Baviera pouco após escutar sua sentença.

(Da redação)