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Ao falar de Bengasi, Hillary alerta para riscos da militância islâmica

Em audiência no Senado, secretária de estado afirmou que ataque a consulado não ocorreu de forma isolada e destacou que instabilidade no Mali transformou o país em "refúgio" para terroristas

Por Da Redação - 23 jan 2013, 14h07

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se pronunciou nesta terça-feira em uma audiência no Senado, sobre o ataque contra o consulado dos Estados Unidos em Bengasi, na Líbia. Em 11 de setembro de 2012, o atentado deixou quatro americanos mortos, incluindo o embaixador Christopher Stevens. Mais uma vez, ela assumiu a responsabilidade por quaisquer falhas de segurança e negou que informações tenham sido ocultadas. “Como eu já disse várias vezes desde o dia 11 de setembro, eu assumo a responsabilidade”, disse Hillary aos integrantes da comissão de Relações Exteriores do Senado.

Na audiência, Hillary ressaltou que ataques como o ocorrido em Bengasi fazem parte de um desafio estratégico mais amplo para os EUA e seus parceiros na África do Norte, devido à crescente militância extremista depois da chamada Primavera Árabe. “O ataque em Bengasi não ocorreu de forma isolada. As revoluções árabes enredaram a dinâmica de poder e destroçaram as forças de segurança em toda a região”, afirmou.

Segundo a secretária de Estado, a instabilidade no Mali transformou o país em “um refúgio para os terroristas que buscam ampliar sua influência e tramar outros ataques do tipo que acabamos de ver na última semana na Argélia”. Um grupo terrorista fez dezenas de reféns em uma usina de gás em In Aménas, no leste da Argélia. A reação do Exército local resultou na morte de alguns dos reféns e terroristas.

Hillary disse que não poderia confirmar informações dadas por autoridades de segurança da Argélia indicando que terroristas que atacaram o campo de exploração de gás também participaram do ataque a Bengasi. Ela afirmou, no entanto, que tanto o grupo que realizou o atentado na Argélia como os terroristas em ação no Mali contam com armas que saíram do arsenal de Muammar Kadafi, ex-ditador da Líbia.

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Insegurança – Relatórios elaborados pelo Senado americano e por um grupo independente apontaram falhas de segurança antes do atentado em Bengasi e atribuíram a culpa ao Departamento de Estado, que teve de rever seus procedimentos. Três funcionários pediram demissão depois que as falhas foram apontadas.

Nesta quarta, Hillary ressaltou que a segurança dos diplomatas americanos foi reforçada depois do incidente na Líbia. “Ninguém está mais comprometido a fazer isso direito. Estou determinada a deixar o Departamento de Estado e nosso país mais seguro, mais forte e mais protegido”.

Ela disse nunca ter visto solicitações por segurança adicional provenientes da representação americana em Bengasi, porque esse tipo de pedido é direcionado aos setores responsáveis no Departamento de Estado, e não chegam até ela. “As solicitações específicas de segurança referentes a Bengasi foram direcionada aos profissionais de segurança. Eu não vi esses pedidos, não os aprovei nem rejeitei”, disse, acrescentando que entre as medidas que estão sendo tomadas para aprimorar o trabalho do departamento está o encaminhamento de solicitações desse tipo para análise da direção.

A secretária de Estado deixará o cargo assim que o senador John Kerry for confirmado como seu substituto. “Foi uma das maiores honras da minha vida comandar homens e mulheres do Departamento de Estado e da Agência para Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid)”, completou. Hillary também deverá testemunhar na Câmara dos Representantes sobre o ataque, em nova audiência pública.

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Caso – Em setembro do ano passado, após o incidente em Bengasi, a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, afirmou que o ataque não era “organizado ou premeditado”, e sim resultado de uma manifestação “espontânea” contra o filme A Inocência dos Muçulmanos. Em novembro, durante uma reunião com senadores republicanos no Capitólio, que criticavam a postura da embaixadora, Susan explicou que sua declaração foi baseada em informações da inteligência americana e que não teve a intenção de enganar a população dos EUA.

Mesmo assim, ela não conseguiu acalmar os ânimos dos parlamentares, que saíram da reunião ainda expressando seu descontentamento. Para os republicanos, a embaixadora teve acesso a informações confidenciais sobre o ataque e tinha a obrigação de questionar as agências de inteligência antes de apresentar uma análise imprecisa. “Estamos bastante preocupados com muitas das respostas que recebemos e algumas que não conseguimos”, disse o senador John McCain, do Arizona, a jornalistas. Susan era a mais cotada para substituir Hillary no Departamento de Estado, mas o episódio descartou sua candidatura ao posto.

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