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Ao deixar o cargo, Patriota critica fuga de Molina ao Brasil

Na cerimônia de posse do novo ministro, ex-chanceler afirmou que processo foi uma 'atuação independente', em referência a Saboia, e 'que não pode se repetir'

Por Gabriel Castro, de Brasília 28 ago 2013, 12h53

Ao se despedir oficialmente do Ministério das Relações Exteriores nesta quarta-feira, Antonio Patriota criticou a atitude do diplomata Eduardo Saboia, que assumiu ter conduzido o processo que retirou o senador boliviano Roger Pinto Molina da embaixada brasileira em La Paz. “Foi uma atuação independente de servidor em La Paz, sem instruções, e representa conduta que não pode voltar a ocorrer”, disse o agora ex-chanceler. Patriota falou durante a cerimônia de posse do novo ministro, Luiz Alberto Figueiredo Machado. O novo chanceler afirmou que assumir o cargo é um “desafio” e se comprometeu a intensificar a atuação do ministério no esforço para a inclusão social e proteção do meio ambiente.

Patriota ainda afirmou que o Itamaraty nunca deixou de buscar uma solução adequada para o caso do senador boliviano. “O governo brasileiro agiu sempre no respeito à soberania boliviana, sem deixar de buscar, por intermédio de mecanismo específico, solução negociada e juridicamente sólida que garantisse o trânsito seguro do senador para o território brasileiro”. Molina, opositor do presidente boliviano Evo Morales, passou mais de 450 dias asilado na embaixada brasileira em La Paz. Ele tentava deixar a Bolívia desde que denunciou o envolvimento de importantes políticos do país com o narcotráfico. Conseguiu deixar o país no último fim de semana, quando viajou 22 horas de carro até Corumbá (MS) e depois seguiu para Brasília.

O Ministério das Relações Exteriores abriu uma sindicância para apurar a conduta do diplomata. Saboia, que está afastado de suas funções, disse ter tomado a iniciativa por razões humanitárias. Ele alega que Molina estaria deprimido, com intenção de se suicidar. A punição para o diplomata pode ir desde uma advertência oral até a exoneração do cargo.

Soberania – Em um breve pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff fez questão de destacar que o governo brasileiro não coloca em risco a vida de brasileiros ou estrangeiros, em uma crítica à operação de retirada do senador boliviano da embaixada em La Paz. “Não interferimos na vida dos outros países, não colocamos a vida de quem quer que seja em risco, cidadãos brasileiros ou de qualquer nacionalidade”.

Nesta terça, Dilma já havia criticado o diplomata Saboia e afirmado que a viagem colocou a vida de Molina em risco. Nesta quarta, ela também aproveitou para dizer que “o mundo exige condutas elevadas” da diplomacia brasileira, em mais um esforço para dar ao papel do Brasil no cenário internacional um peso maior do que possui de fato.

A presidente abordou ainda questão da integração regional, tradicional bandeira da diplomacia brasileira. “A maior de nossas prioridades é a integração regional, principalmente com os nossos vizinhos da América do Sul”.

Sobre o ministro que deixou o cargo diante da crise do caso Molina, Dilma recorreu a uma fala diplomática, distante do relacionamento frio que manteve com Patriota ao longo do mandato de pouco mais de dois anos do chanceler. “Faço um agradecimento caloroso ao ministro Patriota pelo importante trabalho de qualificação da política externa brasileira”.

Patriota passará a ocupar o cargo de embaixador brasileiro nas Nações Unidas, brevemente ocupado por Luiz Alberto Figueiredo.

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