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Ao conquistar ‘voto pela paz’, desafio de Santos será cumprir promessa

Presidente conseguiu se reeleger com 51% dos votos no segundo turno

Por Da Redação 16 jun 2014, 20h34

O presidente Juan Manuel Santos garantiu mais um mandato ao vencer o segundo turno das eleições neste domingo com 51% dos votos. O tema central da disputa foi o diálogo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O pleito foi amplamente visto como um referendo do processo de paz, exposto na mão direita de Santos e na de muitos eleitores que seguiram o gesto. As conversas com a narcoguerrilha foram iniciadas no final de 2012 e até agora não apresentaram resultados concretos, apesar do tom otimista do presidente em seu discurso de vitória: “Este é o fim de 50 anos de conflito neste país, e o início de uma nova Colômbia. Esta não será uma paz de Juan Manuel Santos, nem deste governo. Será uma paz de todos os colombianos”.

Ao assumir a responsabilidade, o presidente terá de atender aos anseios tanto dos que votaram a favor de seu processo de paz como dos que preferiam uma mudança de rumo – Zuluaga, apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, subiu rapidamente nas pesquisas com críticas duras ao diálogo com as Farc. Mesmo derrotado no segundo turno, quase dobrou sua votação entre 25 de maio e 15 de junho, passando de 3,8 milhões para quase 7 milhões.

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Dias antes do segundo turno, apostando no convencimento de que o diálogo é o melhor caminho para a paz, Santos ainda anunciou a disposição de seu governo em negociar com o Exército de Libertação Nacional, segunda narcoguerrilha do país.

Entregar o que prometeu, em análise feita pelo Financial Times, significa que Santos precisará não apenas conseguir um acordo que seja aceito nacionalmente, mas também terá de aumentar a segurança dos cidadãos nas cidades, “onde o sequestro, a extorsão e os roubos dispararam”. O jornal britânico também destaca que a coalizão do presidente no Congresso está mais fraca, enquanto seus opositores estão mais fortes. A bancada uribista, a partir do próximo 20 de julho, ocupará vinte assentos no Senado e doze na Câmara, representando o maior bloco opositor à maioria governista. “Santos terá um governo mais fraco para enfrentar grandes desafios. O primeiro deles a implementação de políticas pós-conflito se ele conseguir ser bem-sucedido no processo de paz”, escreveu Daniel Coronell, colunista da revista colombiana Semana.

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“Alcançar uma paz duradoura, ao contrário de firmar um acordo de paz (as duas coisas são diferentes: veja o caso da Irlanda do Norte), envolve encontrar um equilíbrio difícil entre perdão e justiça. O tamanho da dificuldade para conseguir isso ficará mais claro se Santos fechar um acordo, e então submetê-lo a um referendo nacional. a força do apoio a Zuluaga mostra exatamente o quão forte continua o desejo por justiça”, avalia o Financial Times.

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