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Antes do fim do mandato, Trump concede perdão presidencial a ex-aliados

Dois beneficiados pelos indultos estavam envolvidos na investigação sobre a interferência russa nas eleições de 2016 que levaram o republicano ao poder

Por Da Redação Atualizado em 24 dez 2020, 14h20 - Publicado em 24 dez 2020, 13h56

O presidente dos Estados Estados Unidos, Donald Trump, concedeu na quarta-feira, 23, novos indultos a ex-aliados, incluindo o pai de seu genro Jared Kushner e duas pessoas envolvidas na investigação sobre a interferência russa nas eleições de 2016 que o levaram ao poder.

Os novos perdões presidenciais se somaram a uma longa lista anunciada em seus últimos dias no cargo e provocaram novas reações de indignação.

Entre os indultados estão Charles Kushner, que se declarou culpado de acusações que incluem evasão fiscal e manipulação de testemunhas em 2004, assim como o ex-diretor de campanha de Trump, Paul Manafort, e o ex-assessor Roger Stone.

Os três homens estão na nova lista de 26 pessoas indultadas por Trump, que comutou a totalidade ou parte das condenações.

Os indultos foram anunciados apenas um dias depois de o presidente americano perdoar outras quinze pessoas e comutar as sentenças de cinco, incluindo congressistas republicanos considerados corruptos e agentes de segurança privada condenados pela morte de catorze civis em um massacre de Bagdá em 2007.

O indulto a Manafort, que esteve no centro da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre as acusações de interferência russa nas eleições há quatro anos, provocou protestos pela tentativa de Trump de apagar um caso que sempre chamou de “caça às bruxas”.

O congressista democrata Adam Schiff, que preside o comitê de inteligência da Câmara de Representantes, afirmou no Twitter que “durante a investigação de Mueller, o advogado de Trump apresentou um indulto a Manafort. Manafort retirou sua cooperação com os procuradores, mentiu, foi condenado e depois Trump o elogiou”. “O perdão de Trump agora completa o esquema de corrupção”, acrescentou.

O próprio Manafort tuitou: “Você realmente fez a América grande de novo. Deus o abençoe e a sua família. Desejo um Feliz Natal e felicidades nos próximos anos”.

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Horas antes dos novos indultos, o governo do Iraque expressou indignação e tristeza depois que Trump perdoou quatro contratados da Blackwater, uma empresa de segurança privada que presta serviços para o governo americano, que foram condenados por assassinato e homicídio culposo há seis anos pelo massacre da Praça Nisur.

Os quatro, todos ex-militares americanos, abriram fogo sem provocação na movimentada praça em 2007, em um episódio que deixou pelo menos catorze civis mortos — embora as autoridades iraquianas falem em 17 mortos. O massacre afetou profundamente as relações entre os Estados Unidos e o Iraque.

Repercussão

“Eu sabia que nunca obteríamos justiça”, disse Fares Saadi, o policial iraquiano que liderou as investigações.

O general da reserva dos Estados Unidos Mark Hertling, que serviu no Iraque, classificou os indultos de “terríveis e nojentos”. “Este foi um crime de guerra covarde que resultou na morte de dezessete civis iraquianos. Que vergonha, senhor presidente”, tuitou Hertling.

Trump também concedeu indultos a dois homens condenados por interferência eleitoral em sua campanha de 2016 e a três ex-congressistas republicanos que o grupo de vigilância Cidadãos pela Responsabilidade e a Ética em Washington (CREW) classificou de três dos “legisladores mais corruptos da história recente”. Os cinco eram apoiadores de Trump.

O presidente também surpreendeu os promotores na Flórida na terça-feira quando comutou a sentença de prisão de Philip Esformes, um magnata do setor de medicina condenado em 2019 a 20 anos de prisão por fraudar o programa federal Medicare em 44 milhões de dólares, o maior caso de fraude da história do plano.

Esformes não tinha vínculos evidentes com Trump, mas foi apoiado por vários ex-procuradores e promotores republicanos influentes que respaldaram o presidente.

Com AFP

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