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ANP poderá exumar corpo de Arafat para investigar possível envenenamento

Jerusalém, 4 jul (EFE).- A Autoridade Nacional Palestina (ANP) se mostrou disposta a exumar o corpo do líder palestino Yasser Arafat diante do aparecimento de novos indícios sobre um possível envenenamento, afirmou nesta quarta-feira Nabil Abu Rudeina, porta-voz do presidente da ANP, Mahmoud Abbas.

Suha, a viúva do histórico líder palestino, pediu a exumação do corpo de Arafat depois que uma investigação realizada pela emissora ‘Al Jazeera’ concluísse que o ex-líder pôde ter morrido devido ao envenenamento de polônio 210, uma substância altamente radioativa e encontrada em alguns de seus objetos pessoais.

A decisão sobre uma possível exumação do corpo de Arafat, enterrado na Muqata de Ramala, sede da Presidência e do Governo da ANP, corresponde somente aos palestinos.

‘A Autoridade Palestina sempre esteve disposta a cooperar e ajudar a esclarecer os motivos reais da doença e da morte do anterior presidente’, disse Rudeina à agência palestina ‘Wafa’.

O porta-voz acrescentou que ‘não há nenhuma razão política ou religiosa que impeça a continuidade dessa investigação, incluindo a exumação de seu corpo com a aprovação de sua família’.

Além disso, Rudeina destacou que a liderança palestina ‘se comprometeu a investigar as causas’ da morte do anterior presidente, ‘que permanece na mente dos palestinos, dos árabes e do mundo inteiro, já que foi o símbolo e o líder da luta de povo palestino durante quatro décadas’.

A investigação da emissora do Catar, divulgada ontem, inclui um estudo do Instituto de Radiofísica do Hospital Universitário de Lausanne (Suíça), cujos resultados indicam que o líder palestino poderia ter sido morto por envenenamento com polônio 210.

O estudo, que durou nove meses, analisou a roupa, a escova de dentes e, inclusive, o emblemático ‘kufiya’ (lenço palestino) de Arafat, onde aparentemente foi detectado níveis anormais de polônio nos restos de sangue, suor, saliva e urina presentes nestes objetos.

‘Temos uma primeira prova do crime aqui. Falamos de um crime quando encontramos mais de um 50% de polônio em suas roupas no laboratório mais importante do mundo’, ressaltou a viúva de Arafat nesta quarta ao justificar seu pedido de exumação do cadáver.

‘Peço uma exumação porque os cientistas suíços disseram que tínhamos que fazer. Só assim vamos estar 100% seguros’, acrescentou Suha, que também solicitou uma investigação internacional similar a realizada no caso do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, que morreu em um atentado em Beirute em 2005. EFE