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Anistia Internacional critica consulta sobre estrada em parque na Bolívia

Por Da Redação
5 Maio 2012, 17h24

La Paz, 5 mai (EFE).- A Anistia Internacional (AI) criticou a consulta promovida pelo presidente boliviano, Evo Morales, entre os povos do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis) para construir ali uma estrada, porque deveria ter sido feita antes do início das obras, assinala um comunicado divulgado neste sábado em La Paz.

A AI expressou preocupação pelo conflito do líder com os nativos do Tipnis, que marcham há uma semana dessa região amazônica até La Paz, pela segunda vez em um ano, para rejeitar a consulta e esse projeto viário financiado pela empresa brasileira OAS.

Segundo a Anistia, ‘boa parte do conflito atual radica no fato de que as autoridades bolivianas não realizaram uma consulta prévia, livre e informada’, sobre essa estrada, que pretende unir o centro e o nordeste do país.

Critica que Morales tente dizer que a consulta é ‘prévia’ porque o lance central da estrada, que partirá em duas a reserva, não está em construção, já que ‘os planos para a obra estavam aprovados desde 2008 pelo menos’.

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Além disso, a consulta ‘não parece perguntar sobre a realização ou não da estrada, mas sobre ‘estabelecer as melhores condições possíveis para a construção da primeira estrada ecológica da Bolívia”, algo que, segundo a AI, ‘desvirtua o processo, pois dá a entender que já há uma decisão’.

A polêmica obra, que começou em junho de 2011, demandará um investimento de US$ 415 milhões, dos quais US$ 332 milhões serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em 2011 uma primeira passeata indígena contra a estrada percorreu centenas de quilômetros, superando bloqueios de partidários de Morales e repressão policial, e sua entrada triunfal em La Paz obrigou o líder a ditar uma lei que veta definitivamente qualquer estrada no Tipnis.

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No entanto, o governante populista se arrependeu após promover uma contramarcha de partidários, particularmente seus fiéis produtores de coca, matéria-prima da cocaína, e aprovou neste ano outra lei para consultar os habitantes do parque natural.

Centenas de indígenas iniciaram na semana passada a nova manifestação desde a cidade amazônica de Trinidad para reivindicar ao governante, de origem aimara, que respeite a primeira lei.

O grupo já caminhou mais de 50 quilômetros por rotas destroçadas e inundadas, e prevê retomar a marcha amanhã ou na segunda-feira, disse à Agência Efe por telefone o presidente da Confederação de Povos Indígenas do Oriente da Bolívia (Cidob), Adolfo Chávez.

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Os indígenas estão a 40 quilômetros do povo de San Ignacio de Moxos, onde partidários de Morales bloquearam semanas atrás a passagem a delegações que se uniriam à passeata, e agora se recusam a recebê-los e os ameaçam com violência. EFE

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