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Anistia denuncia “violações em larga escala” durante protestos na Turquia

ONG afirma que repressão contra manifestações em junho resultou na morte de três pessoas

A Anistia Internacional denunciou nesta quarta-feira o que chamou de “violações dos direitos humanos em grande escala” na Turquia durante a repressão policial às manifestações contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que ocorreram em junho. “A repressão do movimento de protesto do parque Gezi provocou violações dos direitos humanos em grande proporção”, afirma Andrew Gardner, especialista me Turquia da Anistia Internacional, em um comunicado divulgado por ocasião da publicação em Istambul de um relatório preparado pela ONG.

Entre as violações listadas no relatório constam o abuso sexual, por parte de policiais, de mulheres que protestavam, o disparo de balas de borracha e bombas de gás na cabeça de manifestantes e o uso de agentes irritantes em canhões de água. A Anistia também denunciou o uso de munição viva pelos policiais, que resultaram na morte de um manifestante. Outros dois morreram em consequência de agressões.

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“Os níveis de violência usados pela polícia mostram claramente o que acontece quando policiais mal treinados e pouco supervisionados recebem ordens de usar a força – e até mesmo são encorajados a usá-la sem moderação – e têm a consciência de que eles não serão processados por eventuais abusos”, disse Gardner. “O governo turco precisa aprender a tolerar as opiniões contrárias expressas na ruas e garantir que a polícia seja devidamente equipada, treinada e instruída para atuar dentro da lei”, completou.

A onda de manifestações contrárias ao governo de junho foram as maiores desde 2002, quando o partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), uma sigla islâmica, chegou ao poder.

O movimento teve origem na luta dos defensores do meio ambiente para proteger as árvores do parque Gezi, no centro de Istambul, ameaçadas pela construção de um shopping, mas logo as reinvindicações foram ampliadas quando manifestantes passaram a acusar o primeiro-ministro Erdogan de autoritarismo e de querer “islamizar” o país.

O governo turco ainda não comentou o relatório.