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Andy Burnham vira premiê e promete ‘maior transformação do Reino Unido em 40 anos’

Após renúncia oficial de Keir Starmer, o novo líder trabalhista anuncia planos para baixar custo de vida e admite que políticos devem 'melhorar'

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 jul 2026, 09h35 | Atualizado em 20 jul 2026, 15h07
Andy Burnham vira premiê e promete ‘maior transformação do Reino Unido em 40 anos’ Priorizar nos meus resultados Google

Andy Burnham, novo líder do Partido Trabalhista, assumiu nesta segunda-feira, 20, o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, em substituição a Keir Starmer. Ao se mudar para a residência oficial do chefe de governo em Londres, ele prometeu uma “virada de chave com as maiores mudanças dos últimos 40 anos” e garantiu novamente que vai devolver “esperança” aos britânicos.

Sob aplausos ensurdecedores, o novo líder do país se dirigiu a uma pequena multidão reunida em frente ao número 10 de Downing Street após cumprir o rito de reunir-se com o rei no Palácio de Buckingham, onde aceitou o convite oficial de Charles III para formar um governo.

“Estou plenamente consciente de que sou a sexta pessoa nos últimos dez anos a percorrer esta rua — o sétimo primeiro-ministro desde 2016 —, o que faz deste um momento de reflexão e de novos propósitos. Isso exige que a minha geração de políticos eleve o nível e esteja à altura do novo desafio. O Reino Unido precisa mostrar ao mundo que podemos recuperar nossa estabilidade; nosso desafio é fazer a política funcionar, e funcionar melhor. Sei que as pessoas estão fartas da política; eu as ouço e quero ser honesto: não temos sido bons o suficiente e precisamos melhorar”, declarou ele no início de seu discurso de posse.

Descentralização, custo de vida e cuidado ‘no centro’

Burnham defendeu que haja um novo modelo político e econômico para a nação que, na década de 1980, segundo ele, “tomou alguns rumos equivocados” — o poder político, centralizado, e o poder econômico, privatizado. Ele defendeu seu projeto de descentralização, que prevê uma maior distribuição de poder (e verba) de Westminister para os municípios e governos regionais.

Além disso, planos para reduzir o custo de vida no Reino Unido devem ser anunciados nesta terça-feira, 21; um roteiro mais amplo, de uma década, deve ser elaborado ainda neste ano, afirmou Burnham.

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“Ajudaremos mais jovens a ingressar no mercado de trabalho, reformulando o sistema educacional e oferecendo mais apoio — inclusive para a saúde mental — e construiremos mais habitações públicas. Essa é a maneira justa e sustentável de reduzir os gastos com assistência social para cumprir nossas regras fiscais e honrar nossos compromissos de defesa com nossos parceiros internacionais. Ajudaremos as pessoas a viver bem, construindo um Estado mais voltado para a prevenção e investindo no sucesso das pessoas, em vez de arcar com os custos do fracasso”, declarou.

Mais especificamente, ele afirmou que sua primeira instrução como primeiro-ministro será acabar com a situação de pessoas dormindo na rua. “Trata-se de colocar valores e padrões corretos no centro do governo. Colocarei o cuidado com as pessoas no centro de tudo o que eu fizer”, prometeu Burnham.

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Adeus de Starmer

Starmer anunciou sua renúncia em 22 de junho, menos de dois anos após sua própria acachapante vitória eleitoral, em reação à derrota sofrida pelo Partido Trabalhista nas eleições regionais e municipais de maio. O número de deputados trabalhistas que pediam sua renúncia vinha aumentando e sua popularidade nas pesquisas havia despencado devido a vários escândalos e à estagnação da economia.

Os trabalhistas colocaram fim a 14 anos de governos conservadores em 4 de julho de 2024, mas Starmer foi incapaz de sustentar a legislatura até 2029. Nesta segunda, o ex-premiê afirmou, em frente ao número 10 de Downing Street, que se sentia “orgulhoso” de seu trabalho à frente do governo e disse que o país está “mais forte e mais justo” desde que chegou ao poder, em 2024.

“Deixo o cargo com serenidade, com um sorriso e orgulhoso de tudo o que conquistamos”, declarou, antes de seguir para o Palácio de Buckingham para apresentar formalmente sua renúncia ao rei Charles III.

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Burnham, de 56 anos, prefeito da Grande Manchester entre 2017 e 2026, havia alcançado grande popularidade com suas políticas e os trabalhistas o viam como sua melhor aposta para conter sua queda nas pesquisas de opinião ante a ascensão da sigla de extrema direita Reform UK e do “ecossocialista” Partido Verde.

Rei do norte

Com Starmer empurrado para a porta de saída, os olhos dos trabalhistas se voltaram para Burnham, conhecido como o “rei do norte”.

Nenhum outro candidato trabalhista se atreveu a fazer-lhe sombra, e ele chegou às eleições internas da semana passada com o apoio de 379 parlamentares do partido, dos 403 que possui na Câmara dos Comuns.

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Starmer não chegou a conquistar as fileiras do trabalhismo e, em dois anos no cargo, seu partido perdeu apoio nas pesquisas, enquanto crescia em popularidade o partido anti-imigração Reform UK.

Segundo a equipe do novo primeiro-ministro, Burnham tem como prioridades restabelecer a confiança no governo e dar um respiro aos britânicos diante da crise do custo de vida. O novo governo do Partido Trabalhista pode ser anunciado já na tarde desta segunda, e a principal pergunta dos analistas políticos é quem ocupará o cargo de ministro das Finanças, em substituição a Rachel Reeves — um dos nomes mais mencionado é o de Shabana Mahmood, até agora ministra do Interior, um posto em que tem chamado atenção com uma política muito rígida em matéria de imigração.

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