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Anders Behring Breivik, de criança sem problemas a assassino sanguinário

Apesar de seu ar de homem cortês e normal, o norueguês Anders Behring Breivik, que começou a ser julgado nesta segunda-feira, se tornou um dos assassinos mais sanguinários da história, movido pelo ódio ao Islã e ao multiculturalismo.

Alto, loiro e charmoso, este extremista de direita admitiu ter matado 77 pessoas no dia 22 de julho de 2011 ao atirar indiscriminadamente em um acampamento de membros da juventude trabalhista depois de ter explodido uma bomba próximo à sede do governo da Noruega.

Ele descreveu o massacre como “um ataque preventivo contra os traidores da pátria”, durante uma audiência no começo de fevereiro.

Nascido dia 13 de fevereiro de 1979 em um país rico e tranquilo, Breivik cresceu sem que em momento algum as pessoas a sua volta pudessem imaginar o drama que ia acontecer.

Segundo ele mesmo reconheceu, Breivik teve uma infância normal, com um pai diplomata e uma mãe enfermeira que se separaram pouco tempo depois de seu nascimento.

“Tive uma educação privilegiada com pessoas responsáveis e inteligentes ao meu redor”, escreveu o assassino na parte autobiográfica do manifesto que publicou no dia da matança.

Cresceu com sua mãe e sua meia-irmã no seio de uma família de classe média que, afirmou, nunca teve problemas de dinheiro. Sua única queixa foi a de não ter tido “muita liberdade”.

Quando ainda era pequeno, contudo, os serviços sociais foram alertados de uma possível carência.

“Anders é uma criança passiva que foge um pouco do contato, um pouco ansioso (…), com um sorriso falso e desanimador”, escreveu um psicólogo, quando Breivik tinha apenas quatro anos. “O ideal seria que fosse colocado em uma família de acolhida estável”, acrescentou o especialista neste relatório obtido pela imprensa norueguesa.

A mensagem ficou sem resposta e o pai não conseguiu conseguir na justiça a guarda de seu filho.

Passado esse episódio, a infância de Anders Behring Breivik parecia seguir um caminho linear e sem problema particular.

“Era uma criança normal, mas fechada em si mesmo. Não se interessava pela política naquela época”, confessou seu pai à imprensa europeia.

O diplomata, contudo, perdeu contato com seu filho adolescente. Posteriormente, o jovem foi pego fazendo pichações.

Seus antigos colegas de escola o descrevem como alguém discreto, com problemas às vezes para encontrar seu lugar, não exatamente o líder natural que desejava ser.

Deixou a escola aos 18 anos, sem concluir os estudos, supostamente para entrar em uma disputa política. Entrou no movimento jovem do Partido do Progresso (FrP), uma formação da direita populista anti-imigração onde assumiu responsabilidades locais. Depois integrou o FrP.

Afastou-se do partido dez anos depois, por considerá-lo aberto demais às “esferas multiculturais” e aos “ideais suicidas do humanismo”.

Embora suas críticas ao Islã, ao multiculturalismo e ao marxismo fossem onipresentes na internet, em um fórum onde era muito ativo, Breivik se descreveu como “mais tolerante” e “relaxado”.

“Por sempre estar exposto a décadas de doutrinamento multicultural, sinto a necessidade de enfatizar que, na realidade, não sou racista e que jamais fui”, escreveu, acrescentando que teve “dezenas de amigos que não eram noruegueses nesses anos”.

Em seu perfil no Facebook, Breivik se define como “conservador”, “cristão” e fã de jogos como “World of Warcraft” e “Modern Warfare 2” que, afirmou mais tarde, o ajudaram a treinar para a matança.

No dia 22 de julho de 2011 na ilha de Utoeya matou friamente 69 pessoas, a maioria adolescentes, o que o transformou no autor do tiroteio mais sangrento praticado por apenas um homem.

Pouco antes tinha assassinado outras oito pessoas ao explodir um carro-bomba no bairro dos ministérios em Oslo.

Foram atos “atrozes mas necessários”, segundo ele, que parece tê-los executado depois de muito tempo de planejamento.

Segundo seu manifesto, Breivik entrou em 2002 em uma cruzada ideológica nos “Cavaleiros Templários” – uma organização cuja existência a polícia nunca conseguiu provar – e decidiu entrar em ação no final de 2009.

Este homem, de uma cortesia desconcertante, começou então a preparar com detalhes os ataques mais sangrentos cometidos na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial, com cuidado para não levantar suspeitas.

É o típico exemplo do “lobo solitário” que vive recluso no apartamento de sua mãe, antes de se mudar para uma granja alugada para poder adquirir discretamente o fertilizante necessário para fabricar sua bomba.

“Ele me parecia uma pessoa qualquer, o homem que passa despercebido”, declarou um vizinho de sua mãe à AFP no dia seguinte à matança. “O norueguês de boa aparência de quem ninguém suspeita”, acrescentou.

Essa premeditação e esse preciosismo são compatíveis com uma psicose que faria com que o assassino fosse penalmente irresponsável, como concluíram dois psiquiatras especializados indicados pela justiça?

Muitas pessoas consideram que não, mas serão os juízes do tribunal de Oslo que decidirão.