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Ancara protesta pelo ataque de tropas sírias contra refugiados na Turquia

Istambul, 9 abr (EFE).- Ancara condenou nesta segunda-feira duramente o ataque das tropas da Síria contra um campo de refugiados sírios em solo turco, por isso considerou que o prazo dado ao regime de Damasco completar nesta terça-feira sua retirada das cidades sírias perdeu a validade.

‘Utilizaremos, certamente, as medidas adequadas se este assunto voltar a se repetir’, indica em nota o Ministério das Relações Exteriores turco, ao lembrar que nesta segunda-feira o Exército disparou contra cidadãos sírios que tentavam proteger-se em território turco, ‘fugindo da violência que o regime aplica contra a própria população’.

A nota acrescenta que o conselheiro da Embaixada síria em Ancara foi chamado pelo Ministério das Relações Exteriores turco para ser informado sobre a postura ‘de forma firme’ do Governo.

Em uma primeira reação após essa entrevista, o vice-ministro das Relações Exteriores turco, Naci Koru, classificou de inválida a data limite de 10 de abril que foi acordada com o regime de Damasco para retirar as tropas das cidades, com base em um plano internacional de paz.

O jornal ‘Milliyet’ afirmou que o Exército turco poderia criar dentro da Síria uma ‘zona de contenção’ para proteger à população civil dos incessantes ataques do regime sírio.

Conforme a apuração do Ministério, os disparos desta segunda-feira feriram 21 pessoas que estavam entrando na Turquia, duas morreram pouco depois.

Como relataram à Agência Efe por telefone três ativistas sírios hospedados nesse centro, duas pessoas morreram ao serem atingidas por disparos do Exército sírio.

As testemunhas revelaram que esta é a primeira vez que os soldados sírios disparam e ferem pessoas em território turco. O incidente figurou brevemente nas capas dos principais jornais turcos e passou rapidamente como notícia secundária.

O incidente se desencadeou pelos combates entre as tropas leais ao regime de Bashar al Assad e os guerrilheiros do Exército Sírio Livre (ESL), composto por desertores.

Desde a 1h desta segunda (19h de Brasília de ontem), milicianos e tropas regulares sírias se envolveram em intensos tiroteios na região de Azaz, um povoado situado a menos de um quilômetro da fronteira.

Pela manhã, um grande grupo de sírios, perseguido por tropas oficiais, tentou atravessar a fronteira perto do acampamento.

‘As pessoas saíram do acampamento para ajudar os feridos e, nesse momento, as tropas começaram a disparar contra as casas’, narraram as testemunhas a Efe.

No ‘YouTube’ há um vídeo que permite ver buracos de bala em várias paredes de casas pré-fabricadas do campo de refugiados.

Outra gravação mostra os momentos de pânico vividos pelos residentes em fuga no momento em que o Exército sírio disparava contra o acampamento. Vê-se ainda um jovem inconsciente ferido sendo socorrido.

Em meio a esta nova escalada da tensão, o mediador da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, deve visitar nesta terça-feira os centros de refugiados sírios no sul da Turquia.

Lá se reunirá com refugiados antes de ir a Teerã, onde espera convencer o regime do Irã a apoiar o plano de paz para a Síria, que prevê cessar-fogo na próxima quinta-feira, após a retirada militar a partir desta terça-feira. EFE