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Americanos se unem para lembrar os dez anos após o 11 de Setembro

Por Por Brigitte DUSSEAU 11 set 2011, 19h10

Emocionados, levando bandeiras e flores, os americanos unidos lembraram neste domingo as cerca de 3.000 vítimas dos atentados de 11 de setembro, dez anos depois da tragédia que ficará para sempre inscrita em sua memória coletiva.

Em Nova York, em um raro gesto de unidade, os presidentes Barack Obama e George W. Bush assistiram juntos, ao lado de suas esposas Michelle e Laura, à cerimônia em que, a cada ano, as famílias citam os nomes de seus entes queridos que se foram.

Atrás de um vidro à prova de balas, o presidente Obama leu o salmo 46 da Bíblia, que fala de Deus como “nosso refúgio e nossa força”. Um coral de adolescentes cantou o hino americano.

No local em plena reconstrução do World Trade Center, uma multidão emocionada parou em seis ocasiões em um minuto de silêncio: o sino ressoou no instante exato dos ataques contra as torres e contra o Pentágono, no momento em que um avião caiu na Pensilvânia, e no horário em que as torres desabaram, deixando no total 2.977 mortos, sendo 2.753 em Nova York.

Com a voz muitas vezes embargada pela emoção, parentes, filhos, maridos, esposas, irmãos e irmãs, lembraram seus mortos.

“Gostaria que meu pai estivesse aqui para me ensinar a dirigir, para me ver paquerar as garotas, para me ver passar em minhas provas” declarou Peter Negron, que tinha 11 anos quando seu pai, Peter, morreu no WTC.

“Do fundo do meu coração, nunca vou te esquecer”, disse uma menina às lágrimas sobre seu falecido marido.

“Papai, você me deu a vida, gostaria que você estivesse aqui comigo”, disse Nicholas Gorki, de 9 anos, a alguém que ele não chegou a conhecer.

A segurança foi reforçada em toda a cidade, em razão de uma ameaça “plausível, mas não confirmada” de atentado da Al-Qaeda.

Apertando fotos sobre seus corações, as famílias conheceram o memorial do 11 de Setembro, um espaço de três hectares com carvalhos, que será aberto ao público na terça-feira.

Duas imensas piscinas em granito negro, instaladas no local onde as torres estavam erguidas, levam em suas bordas os nomes gravados em bronze das vítimas dos atentados e os das vítimas de um primeiro ataque contra o WTC em 1993: são 2.983 nomes no total.

Várias famílias foram neste domingo acariciar esses nomes, levando rosas ou pequenas bandeiras americanas.

Em razão da violência do choque, para mais de 1.000 vítimas dos atentados, nem ao menos um traço de DNA foi encontrado, o que torna o significado dos nomes gravados ainda mais forte para as famílias.

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A cerimônia reuniu também o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e seu antecessor, Rudy Guiliani.

Ela foi realizada quatro meses depois da morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, morto no Paquistão por um comando americano no dia 2 de maio. Uma morte que ajudou alguns americanos, cansados de dez anos de guerra e mais preocupados com a crise econômica ou com as profundas divisões políticas, a virarem lentamente a página.

Obama, que se disse “particularmente emocionado” com a cerimônia de Nova York, e com a “serenidade” do novo memorial, viajou depois com sua esposa Michelle para Shanksville (Pensilvânia).

Lá, ele depositou uma coroa de flores brancas em memória dos 40 passageiros e membros da tripulação do Voo 93 que caiu, quando essas pessoas tentaram impedir que os terroristas jogassem a aeronave, provavelmente, sobre o Capitólio, em Washington.

“Nós preservamos nossos valores, preservamos nosso caráter”, afirmou Obama, reconhecendo “os erros” após o 11 de Setembro em uma entrevista concedida à rede de televisão NBC.

Logo depois, o presidente seguiu para o Pentágono, onde os atentados deixaram 184 mortos, para uma nova homenagem com flores. Uma cerimônia tinha sido realizada pouco antes, na presença do vice-presidente Joe Biden, e do secretário de Defesa, Leon Panetta.

Este homenageou as tropas americanas por seus sacrifícios, graças aos quais “a nação está hoje mais segura e mais forte”.

As duas guerras no Afeganistão e no Iraque, iniciadas após o 11 de Setembro, mataram mais de 6.200 soldados americanos e custaram centenas de bilhões de dólares aos Etados Unidos.

No sábado, cinquenta militares americanos ficaram feridos, além de outros soldados da coalizão, quando um terrorista suicida explodiu um caminhão-bomba na entrada de uma pequena base da Otan, no centro do Afeganistão.

Vários outros eventos estavam previstos para este domingo em Nova York, entre eles um em memória dos 343 bombeiros mortos no 11 de Setembro.

Uma breve cerimônia foi realizada neste domingo no US Open de tênis, antes do início da final feminina entra a americana Serena Williams e a australiana Samantha Stosur, para marcar o aniversário dos ataques.

No domingo, 9 de setembro de 2001 em Flushing Meadows, próximo à ilha de Manhattan, a vitória do australiano Lleyton Hewitt sobre o americano Pete Sampras tinha sido um dos últimos eventos esportivos disputados em Nova York antes da queda das torres gêmeas.

Dez anos depois, os organizadores marcaram o aniversário com uma cerimônia na quadra Arthur Ashe, o maior estádio de tênis do mundo (23.000 lugares), durante a qual a cantora e atriz Queen Latifah, que havia apresentado a primeira cerimônia de aniversário no US Open, em setembro de 2002, cantou o hino nacional, e uma bandeira gigantesca cobriu a quadra.

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