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Americanos são sentenciados por morte de dezessete iraquianos em 2007

Os funcionários da empresa de segurança Blackwater receberam penas que variam de prisão perpétua a 30 anos de reclusão

A Justiça americana definiu nesta segunda-feira as penas para os quatro funcionários da empresa de segurança privada Blackwater que mataram dezessete civis iraquianos desarmados na Praça Nisour, em Bagdá, em 2007. Nicholas A. Slatten, um ex-sniper do Tennessee, foi condenado por assassinato e recebeu a pena de prisão perpétua por ter disparado os primeiros tiros. Dustin L. Heard, também do Tennessee, Evan S. Liberty, de New Hampshire, e Paul A. Slough, do Texas, receberam 30 anos de reclusão cada.

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Os acusados falaram publicamente pela primeira vez desde os crimes ao longo da audiência. De acordo com o jornal The New York Times, os réus alegaram que as mortes dos civis iraquianos eram justificáveis. “Eu sinto muito pelas vidas perdidas, mas, sendo sincero com a corte, eu não acredito que tenha feito algo errado”, disse Dustin Heard. O ex-sniper Nicholas Slatten afirmou ao juiz que o “veredicto está errado”. “Você sabe que eu sou inocente, senhor”, acrescentou. O magistrado Royce C. Lamberth, no entanto, respaldou a condenação emitida em outubro contra os réus e parabenizou o Departamento de Justiça americano por revelar os fatos e apresentar ao mundo “a verdade sobre o que aconteceu na Praça Nisour.”

O NYT ressalta que as sentenças são uma vitória diplomática para os Estados Unidos frente ao cético governo iraquiano. Washington reiterou por diversas vezes que era preciso confiar no sistema de Justiça americano – mesmo quando a procuradoria sofreu reveses ao longo dos oito anos de julgamento. Dezenas de testemunhas que estavam presentes no dia do incidente voaram do Iraque para os Estados Unidos para participar da audiência. Cerca de 100 manifestantes também foram vistos do lado de fora do tribunal declarando apoio aos réus. Para o juiz Royce Lamberth, a pena aplicada aos quatro condenados fez justiça às vítimas e às suas famílias. “Baseado na seriedade dos crimes, eu não vejo como essas penas podem ser excessivas”, declarou, segundo a BBC.

(Da redação)