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América Latina demonstra força diante da crise global

Ana Mengotti.

Bogotá, 14 dez (EFE).- A América Latina se destacou em 2011 em relação à Europa e aos Estados Unidos com uma estabilidade econômica e números de crescimento invejáveis, acompanhados de uma maior integração regional e um crescente peso internacional.

Ainda que nos últimos meses tenham surgido alguns sintomas que as coisas possam não ir tão bem em 2012, como a estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no terceiro trimestre, a maioria dos analistas apontam que 2011 foi positivo para a região.

Salvo umas poucas vozes que lembram o popular refrão que aconselha a pôr as barbas de molho e outras, mais técnicas, falando que ninguém está imune a uma crise global, o otimismo, muitas vezes eufórico, predominou entre os dirigentes latino-americanos.

A esse fato se somou também a satisfação pelo fato de que desta vez não são os países latino-americanos os que sofrem com problemas financeiros e de endividamento, nem os que não sabem como sair do atoleiro.

‘Os ‘professores’ que nos deram lições nos anos 80 sobre a crise da dívida agora não sabem o que fazer com a crise de dívida’, disse em outubro o ex-presidente do Governo espanhol, Felipe González.

O veterano político socialista deu a declaração após participar de um fórum na Argentina, um país que entende bem as crises financeiras. A última, há exatamente dez anos, foi uma autêntica viagem ao inferno.

A Europa ‘tem muito que aprender’ com a Argentina, que ‘demonstrou que há vida depois da morte e que é possível crescer após uma reestruturação’, afirmou neste mês em Buenos Aires o Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz.

No entanto, para Felipe González, que em 1990 garantiu que, se tivesse US$ 1 milhão, investiria na Argentina, está claro que se a economia e o consumo na União Europeia (UE) e nos EUA se contraírem, ‘os países emergentes têm que frear’.

Uma freada forte foi exatamente o que a economia brasileira, a maior da América Latina, experimentou no terceiro trimestre: o crescimento foi de 0%, como o da Espanha e da Bélgica.

As autoridades se apressaram para dizer que se trata de algo passageiro e que no quarto trimestre o PIB voltará a crescer para terminar o ano com uma alta de 3,2%.

Na última reunião do Grupo dos Vinte (G20, que reúne países desenvolvidos e os emergentes mais importantes), o Brasil foi um dos mais cortejados para que contribuísse com o fundo de resgate europeu, mas a presidente Dilma Rousseff disse que ajudaria somente através do Fundo Monetário Internacional (FMI).

‘Prefiro investir mais recursos no FMI, porque pelo menos sei que ali conto com uma garantia’, afirmou Dilma na ocasião.

Outro presidente da região, Juan Manuel Santos, da Colômbia, declarou na recente cúpula de fundação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) que a América Latina tem tudo que o mundo precisa atualmente, como energia, água e um imenso potencial para produzir alimentos.

‘As circunstâncias mundiais nos estão dizendo que esta pode ser a década ou o século da América Latina’, comentou Santos.

A América Latina e o Caribe, com 570 milhões de habitantes, têm um crescimento sustentado e estável desde 2003, salvo um pequeno retrocesso em 2009, além reservas internacionais de mais de US$ 700 bilhões e uma enorme riqueza natural, com 30% da superfície florestal e a maior quantidade de água do mundo.

Esses dados foram exaltados durante a criação da Celac, qualificada por alguns de seus participantes como uma segunda independência da região, devido à ausência no novo organismo de Estados Unidos, Canadá e outros países de fora do continente.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, considerou que a Celac, que ‘nasce com um espírito novo, como uma arma de integração política, econômica e social’, se tornará ‘um grande pólo de poder’.

Em um recente relatório, a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal) se declarou convencida que ‘a região está pronta para exercer um papel cada vez maior na economia mundial’.

Segundo os últimos números desse organismo das Nações Unidas, a América Latina e o Caribe terminarão 2011 com um crescimento econômico de 4,4%, mas em 2012 haverá uma ‘desaceleração geral’ como efeito da crise nos EUA e na Europa, que será notada no fluxo financeiro, nas remessas, nos investimentos e no comércio. EFE