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Amazon é criticada por gestão de surtos de Covid-19 em armazéns

Funcionários de centro de distribuição em Minneapolis acusaram empresa de tentar esconder proporções do contágio entre trabalhadores

Por Da Redação - Atualizado em 10 jul 2020, 15h04 - Publicado em 10 jul 2020, 14h59

Funcionários da Amazon acusam a companhia de mentir sobre a multiplicação de casos de Covid-19 nos armazéns e sedes da empresa. Oficialmente, porém, o gigante de tecnologia afirma que seus estabelecimentos seguem seguros e que a taxa de infecções entre seus empregados é menor do que a observada em todo o mundo.

Documentos internos divulgados pela Bloomberg mostram que um dos armazéns da companhia em Shakopee, na região de Minneapolis, nos Estados Unidos, registrou um surto entre os funcionários e que a administração da empresa sabia sobre o ocorrido, mas tentou minimizar a gravidade da situação. De acordo com a agência de notícias, a Amazon se recusou a interditar o local.

Em meados de maio, a companhia já havia registrado 45 casos no local, e as infecções se multiplicavam a uma taxa de contágio de 1,7. Outras fontes dizem que o total de infecções pode ter passado de 80 até julho. A taxa em todo o estado de Minnesota é menor que 1,3 nesta sexta-feira, 10.

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Funcionários do local acusaram a Amazon de esconder a extensão do surto e manter os trabalhadores no escuro. “Desde o começo, eles tentaram minimizar e esconder sua extensão dentro do armazém”, disse ao jornal Star Tribune William Stoltz, de 25 anos, que trabalha na instalação de Shakopee há três anos. “Percebo que a segurança do trabalhador não é a principal preocupação”.

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Além de Stoltz, Tyler Hamilton, de 23 anos, e também funcionário do centro de atendimento da Amazon há três anos, disse que a principal forma de comunicação da empresa sobre o vírus era por meio de vagas mensagens de texto. As mensagens confirmariam a ocorrência de casos de Covid-19 no depósito e afirmavam que ele seria higienizado, mas não continham outras informações úteis. Ao longo de junho, outros comunicados internos apenas diziam que “casos adicionais” foram confirmados.

Em maio, o vice-presidente sênior da companhia, Dave Clark, confirmou o registro de alguns casos, mas disse que “a taxa de transmissão está abaixo das taxas reais de infecção na comunidade”.

Na semana passada, funcionários de outros armazéns da Amazon na Alemanha organizaram uma greve contra as medidas de segurança tomadas pela empresa por conta do coronavírus. Ao menos 40 trabalhadores de dois centros de atendimentos no município de Bad Hersfeld, no centro do país, testarem positivo nas últimas duas semanas.

A insatisfação tomou grandes proporções depois da empresa anunciar que pagaria 500 milhões de dólares (cerca de 2,7 bilhões de reais) de bônus a colaboradores da linha de frente da operação e prestadores de serviços em todo o mundo, como forma de “agradecimento”. A greve foi realizada por funcionários de seis centros da gigante do e-commerce no país alemão. Com isso, a companhia sentou com os trabalhadores  para negociar termos de um acordo coletivo sobre a proteção da saúde no espaço de trabalho e melhores salários para a classe.

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