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Alvo de protestos, primeira-ministra da Tailândia diz que não pretende renunciar

Manifestantes acusam Yingluck Shinawatra de ser fantoche do irmão; premiê admite que pode negociar

Por Da Redação 2 dez 2013, 09h14

Alvo de uma série de protestos que pedem a sua renúncia, a primeira-ministra da Tailândia, Yingluck Shinawatra, disse nesta segunda-feira que não pensa em deixar o cargo. Em entrevista coletiva, Yingluck também qualificou como “inaceitáveis” e contrárias à Constituição as exigências do líder dos protestos, Suthep Thaugsuban, para que ela pelo menos ceda o poder para uma espécie de conselho popular. “Quero fazer tudo o que estiver a meu alcance para que o povo esteja contente, mas o que fizer deve de estar dentro da Constituição”, disse Yingluck. A primeira-ministra tailandesa, no entanto, diz que está disposta a “abrir qualquer porta” para negociar com os manifestantes.

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Novos conflitos foram registrados na manhã desta segunda-feira entre as forças de segurança e milhares de opositores que desejam a queda do governo. A polícia usou gás lacrimogêneo para defender a Casa de Governo, na capital, Bangcoc. Os manifestantes – uma aliança da burguesia conservadora ligada ao opositor Partido Democrático e de pequenos grupos monárquicos – afirmam que a primeira-ministra Yingluck não passa de um fantoche do irmão.

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Os protestos contra Yingluck estouraram no país há cerca de dez dias. Os manifestantes são contra um projeto de lei apoiado pelo governo que pretende conceder uma anistia ao irmão da premiê, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra. Com isso, ele não precisaria cumprir os dois anos de prisão por corrupção. Thaksin foi condenado em 2008, dois anos depois de ser derrubado em um golpe militar. Desde então, ele tem vivido fora do país.

As manifestações são as mais importantes desde 2010, quando 100.000 partidários de Thaksin Shinawatra, os ‘camisas vermelhas’, ocuparam o centro de Bangcoc durante dois meses para reclamar a saída do governo da época, dirigida pelo democrata Abhisit Vejajiva. Na época, mais de 90 pessoas morreram nos confrontos.

Thaksin foi retirado do poder pelos militares em 2006. Com exceção de um breve retorno à Tailândia em 2008, ele viveu no exílio desde então. Tribunais tailandeses o condenaram por corrupção à revelia, com uma pena de dois anos de prisão. Os tribunais também congelaram bilhões de dólares seus em bancos tailandeses, mas a Justiça tailandesa acredita que ele ainda tem uma grande quantidade de dinheiro no exterior.

Desde o estabelecimento da monarquia constitucional na Tailândia, em 1932, o país já vivenciou dezoito golpes de Estado ou tentativas de derrubar o governo.

(Com agências EFE e France-Presse)

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