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Alto comando militar americano se preparou para impedir golpe de Trump

Comportamento de Trump, considerado por generais como agressivo e instável, levantou preocupações após tentativa frustrada de reeleição

Por Da Redação Atualizado em 16 jul 2021, 17h53 - Publicado em 15 jul 2021, 17h45

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Mark Milley, cargo mais alto para um militar no país, planejou junto a outros militares maneiras informais de parar o presidente Trump caso ele tentasse aplicar um golpe após as eleições de novembro. 

As revelações foram feitas a partir de trechos obtidos com exclusividade pela CNN de um novo livro que será lançado na próxima terça-feira, 15, por Carol Leonnig e Philip Rucker, repórteres do Washington Post. O livro revela detalhes de como Milley e outros militares discutiram um plano de demissão conjunta de maneira a não cumprir ordens consideradas perigosas ou ilegais do ex-presidente. 

Segundo os autores, o sinal de alerta foi ligado quando o ex-presidente começou a colocar pessoas de sua confiança em posições estratégicas de poder logo após sua derrota nas eleições de 2020. Desse modo, o chefe do Estado-Maior teria dito a colegas que ficaria “em guarda” para impedir um possível golpe, afirmando que não seria possível tomar o país sem o apoio das “pessoas que têm as armas” militares, CIA e FBI.

Nos dias próximos de 6 de janeiro, Milley demonstrou preocupação com as ações de Trump. Para ele, as agitações causadas pelo ex-presidente eram um indicativo de que havia a tentativa de aplicar um golpe, uma vez que ele era um “líder autoritário clássico sem nada a perder”, além de enxergar paralelos entre a sua retórica e a de Adolf Hitler, se colocando em uma posição de vítima e de salvador. 

Fontes próximas ao general afirmam que ele não irá comentar as declarações que serão divulgadas no livro, dizendo apenas que não chamou Trump de nazista, mas que se sentiu na obrigação de comparar as retóricas uma vez que se sentiu preocupado. 

Nesta quinta-feira, o ex-presidente emitiu um longo comunicado no qual critica abertamente Milley e afirma que nunca falou ou tentou dar um golpe e que, se tentasse, definitivamente não seria com o general. 

Entre os dias 6 de janeiro até o dia da posse do atual presidente Joe Biden, no dia 20 de janeiro, Milley se reuniu com uma série de militares e funcionários do alto escalão do governo de forma a analisar os possíveis cenários que poderiam acontecer. Ao final da cerimônia de posse de Biden, o general teria então dito estar extremamente feliz. 

Apoio do Kremlin a Trump

Ainda nesta quinta-feira, documentos vazados pelo Kremlin apontam que, durante uma reunião fechada do conselho de segurança da Rússia, o presidente Vladimir Putin teria autorizado pessoalmente uma agência de espionagem para apoiar o “candidato mentalmente instável Donald Trump” na eleição para presidente dos Estados Unidos de 2016.

A reunião ocorreu em 22 de janeiro de 2016 e contou com funcionários de alto escalão do governo russo. Segundo os documentos, a presença de Trump na Casa Branca ajudaria a garantir os objetivos estratégicos de Moscou, entre eles a “turbulência social” nos EUA e o enfraquecimento da posição de negociação do novo chefe de estado. 

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As três agências de espionagem foram instruídas a encontrar todos os meios necessários para eleger Donald Trump, que na época liderava as primárias do Partido Republicano. As agências de inteligência sabiam da existência dos documentos há alguns meses, em um vazamento extremamente incomum de dentro do Kremlin. 

Ao ser questionado sobre a veracidade dos papéis, o porta-voz do governo russo respondeu com desdém, afirmando se tratar de uma ficção elaborada pelo ocidente. No relatório, há uma breve avaliação psicológica de Trump, que o descreve como “impulsivo, mentalmente instável e desequilibrado que sofre de complexo de inferioridade”.

Há ainda uma aparente confirmação de que o governo russo teria provas comprometedoras a respeito do ex-presidente referentes a viagens não oficiais dele à Rússia. Para os russos, sua eleição seria o cenário perfeito para a desestabilização dos EUA e de seu sistema sociopolítico. 

Existem comprovações e fotos oficiais de que a reunião, de fato, ocorreu na data marcada. De acordo com um comunicado à imprensa, os assuntos discutidos foram referentes à economia do país e à Moldávia. No entanto, os documentos mostram que a conferência foi utilizada para citar todas as medidas que o Kremlin poderia tomar para eleger Trump. 

Além disso, várias fraquezas do americanas são citadas, como o grande abismo político entre a esquerda e a direita, o espaço de informação da mídia nos EUA e um clima anti-establishment sob o presidente Barack Obama. 

Há parágrafos que dizem, ainda, como a Rússia poderia inserir um “vírus de mídia” na vida pública americana, que poderiam se tornar autossustentáveis e auto-replicáveis, alterando a consciência de massa no país.

Apesar de Putin negar repetidamente as acusações de ter interferido na democracia ocidental, os documentos vazados traçam um roteiro que realmente aconteceu em 2016. Poucas semanas após a reunião, os hackers do Departamento Central de Inteligência russo invadiram os servidores do Partido Democrata e vazaram uma série de e-mails privados que prejudicaram a campanha de Hillary Clinton.

Segundo os vazamentos, a vitória de Trump faria com que Putin conseguisse dominar completamente as relações bilaterais entre EUA e Rússia, além de desconstruir a forte posição de negociação da Casa Branca, permitindo a seu país buscar iniciativas ousadas na política externa mundial.

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