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Alívio dá lugar à ira no veredicto contra Mubarak

Por Por Samer al-Atrush - 2 jun 2012, 14h52

Um silêncio sepulcral tomou conta neste sábado da sala de audiências e das famílias das vítimas em frente ao tribunal quando foi anunciada a sentença de prisão perpétua para o ex-presidente Hosni Mubarak. Mas a absolvição de seus filhos e de autoridades de segurança pos fim ao alívio e desencadeou a ira.

Tal mudança de ambiente ocorreu porque o tribunal, após ter declarado culpados Mubarak e seu ex-ministro do Interior Habib el Adli pela morte de quase 850 manifestantes durante a revolta de 2011, absolveu seis autoridades de segurança, julgadas pelas mesmas acusações.

O presidente do tribunal, Ahmed Rifaat, começou com um discurso muito duro contra o governo de Mubarak, deitado em uma maca atrás de grades no banco dos réus, onde também estavam seus filhos, Alaa e Gamal, Habib el Adli e os seis funcionários de alto escalão do Ministério do Interior.

O reinado de Mubarak consistiu em “trinta anos de uma negra, negra, negra escuridão, a escuridão de um inverno amargo”, disse. A revolta deu “uma nova aurora ao Egito”, acrescentou.

Depois de anunciado o veredicto, foram ouvidas manifestações de descontentamento na sala onde estavam os acusados. Na parte de fora, as famílias das vítimas expressaram a sua alegria e soltavam fogos de artifício aos gritos de “Deus é grande”.

Mas o júbilo deu lugar à raiva quando o juiz livrou seis autoridades do Ministério do Interior e os dois filhos de Mubarak. Estes eram processados por casos de corrupção que, segundo o juiz, tinham prescrito.

“O povo quer uma luta por justiça”, gritavam os advogados das vítimas, antes que fossem registrados breves confrontos no anfiteatro da academia de polícia que abriga a sala de audiência.

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“O veredicto levará a uma absolvição em apelação”, considerou um deles, Ahmed Hasan. A defesa de Mubarak não tardou a comunicar que apelará da sentença.

Os detratores do julgamento sempre criticaram as testemunhas que compareciam no tribunal. Em seu veredicto, o juiz reconheceu que não eram confiáveis.

Em frente ao edifício, Mohamed Abdel Fatah, pai de um menino de 11 anos que morreu atingido por um tiro durante a revolta, exibia a camisa e o casaco ensanguentados do jovem.

“Nulo e sem valor, nulo e sem valor!”, gritava, referindo-se ao veredicto.

“Deveria ser executado da mesma forma como executou nossos filhos”, reagiu Mustafa Mursi, que perdeu um filho de 18 anos atingido por tiros em frente a um posto policial.

“Este veredicto prepara o terreno para um perdão quando Shafiq chegar ao poder”, acrescentou.

Ahmad Shafiq, o último primeiro-ministro de Mubarak, enfrentará no segundo turno das eleições presidenciais de 16 e 17 de junho Mohamed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana.

No lado de fora, a polícia antidistúrbios abria passagem e agredia com cassetetes manifestantes furiosos que lançavam latas de refrigerante vazias. Os policiais tiveram trabalho para conseguir separar manifestantes contra e a favor de Mubarak.

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