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Aliados de Guaidó dizem que “regime de Maduro desmoronou”

Presença do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, ao lado do líder venezuelano não se traduz em apoio das tropas, segundo a oposição

Por Denise Chrispim Marin 30 abr 2019, 16h38

Aliados de Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela, garantem que o líder Nicolás Maduro está isolado e sem o apoio substancial da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), embora ainda não detalhem quais os setores, unidades e comandos romperam com o Palácio de Miraflores. A presença do ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, ainda ao lado do ditador não se traduz em apoio efetivo das tropas, segundo os colaboradores do oposicionista.

“Padrino não é ninguém”, insistiu uma fonte próxima a Guaidó a VEJA. “O regime de Maduro desmoronou. É o começo do seu fim.”

O ministro da Defesa insistiu nesta terça-feira que a FANB continua “firmemente em defesa” de Maduro disse que todas as unidades militares do país declararam “normalidade” em seus quartéis e suas bases militares. “Eles são covardes! Permaneceremos firmes em defesa da ordem constitucional e da paz da República, assistidos como somos pela lei, razão e história. Sempre fiel, Traidores nunca!”, escreveu.

Também o presidente da Assembleia Constituinte da Venezuela, Diosdado Cabello, reafirmou a lealdade dos militares a Maduro, mas admitiu haver rebeldes que passaram para a oposição. Em discurso para centenas de simpatizantes do chavismo nos arredores do Palácio de Miraflores, Cabello disse que os militares rebeldes deixaram a base aérea de La Carlota, em Caracas, ao encontrar resistência por parte de soldados leais a Maduro.

“Como eles são presunçosos, apareceram lá (na base militar) e disseram ‘agora sim, Maduro caiu'”, disse Cabello, encima de um caminhão. “Fizeram selfies, fizeram fotos e estavam participando abertamente de um golpe de Estado. Quando se deram conta de que não iria funcionar, tentaram se passar por desentendidos”, continuou.

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  • Mais cedo, Guaidó divulgara um vídeo ao lado de vários militares na base aérea de La Carlota. Na gravação, o líder da oposição disse que o anúncio marcava o início da “Operação Liberdade” para tirar Maduro da presidência da Venezuela. A saída dos militares e civis da oposição da base aérea deveu-se à orientação para que se concentrassem na praça de Altamira, principal reduto de manifestações contra o regime. O próprio Guaidó se dirigiu ao local para fazer discurso aos críticos do chavismo.

    Nos principais pontos de protesto, em Caracas, militares desertaram e passaram a portar uma faixa azul no braço como sinal de apoio à oposição. Os demais acentuaram a repressão aos manifestantes, com o uso de blindados, de disparos de fuzis e da ajuda de blindados.

    A Força Armada Nacional Bolivariana, com 123.670 militares, será o fiel da balança nesta crise. Os militares comandam a produção, a importação e a distribuição de alimentos e de petróleo. Tambêm tem o controle de empresas petromineradoras, emissoras de televisão, universidades, bancos, montadoras de veículos e empreiteira. Além disso, 30% dos governadores estaduais são provenientes do universo militar. Maduro chegou a referir-se à FANB como a “espinha dorsal” do país.

    A FANB não atua apenas como uma força militar convencional, mas também como força de segurança interna da Venezuela. Para essa última função, dispõe da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), ambas altamente temidas pela população. Dentro da PNB, a Força de Ações Especiais (Faes), considerada um esquadrão da morte e responsável por 4.998 pessoas em 2017.

    A GNB e a Faes são apontadas por organismos de defesa dos direitos humanos como as principais responsáveis pela escalada da violência no país.

    (Com EFE)

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