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Alemanha pede explicações a novo embaixador dos EUA

Richard Grenell afirmou que deseja “empoderar” grupos conservadores na Europa, palavras interpretadas por Berlim como ingerência política

Por Da Redação 4 jun 2018, 13h34

O governo da Alemanha convocou nesta segunda-feira (04) o novo embaixador dos Estados Unidos em Berlim, Richard Grenell, a explicar declarações ao portal americano de direita Breitbart nas quais se comprometeu a apoiar formações conservadoras europeias.

“Pedimos uma explicação sobre se esta afirmação foi feita tal como foi divulgada”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. Ele acrescentou que o próprio Grenell terá chance de dar sua versão dos fatos na próxima quarta-feira (06), quando apresentará suas credenciais ao governo alemão e, dessa forma, será oficialmente reconhecido como embaixador americano em Berlim.

A entrega das credenciais, disse a fonte da diplomacia alemã, deverá servir para “esclarecer convenientemente esta questão”.  Serão apresentadas ao diretor da área política do Ministério de Relações Exteriores, Andreas Michaelis.

  • Autoridade em comunicação da máquina do Partido Republicano e ultraconservador, Grenell foi nomeado para o posto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Como embaixador americano na Alemanha, ele será o homossexual em posição mais elevada do governo.

    A origem da polêmica está nas declarações do diplomata ao portal de notícias Breitbart, nas quais se mostrava determinado a “empoderar” formações conservadoras na Europa e se dizia convencido de que o avanço desses grupos se deve a um “fracasso dos conceitos esquerdistas”.

    Essas afirmações chamaram a atenção por não serem esperadas de um diplomata e foram interpretadas imediatamente em Berlim como ingerência política americana na Alemanha e na Europa. O continente tem assistido à eleição e composição de governos de ultra-direita desde o ano passado, em especial nos países do centro e leste.

    Desde então manteve várias reuniões com destacados representantes da ala mais direitista da União Democrata-Cristã (CDU) de Angela Merkel, como o ministro de Saúde, Jens Spahn, considerado um rival interno da chanceler.

    Imediatamente ao chegar a Berlim, Grenell foi alvo de críticas por ter pressionado empresas alemãs a abandonar seus negócios no Irã, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a saída do país do acordo nuclear com Teerã e impôs sanções contra o país.

    (Com EFE)

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