Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Alemanha pede que França dê sua vaga no Conselho de Segurança à UE

Embaixador francês rechaçou sugestão; reforma do órgão máximo da ONU foi engavetada na década passada

A Alemanha sugeriu nesta quarta-feira, 28, que a França renuncie a seu status de membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas em benefício da União Europeia (UE). Paris rejeitou imediatamente a proposta.

“Se levamos a União Europeia a sério, ela deveria falar a uma só voz no Conselho de Segurança das Nações Unidas (…) Em médio prazo, o posto permanente da França poderia ser transformado em uma posição da União Europeia”, afirmou o vice-chanceler alemão, Olaf Scholz.

A resposta francesa não demorou a chegar. “É legalmente impossível porque isso é contrário à Carta das Nações Unidas”, escreveu o embaixador francês nos Estados Unidos, Gérard Araud, no Twitter. “Modificá-lo seria politicamente impossível”.

A sugestão de Berlim foi lida como uma maneira de responder às críticas recorrentes sobre a timidez e falta de ambição do governo alemão em relação às propostas francesas de relançar o projeto europeu. Mas também estão relacionadas à ambição da Alemanha de ser conduzida ao Conselho de Segurança como membro permanente.

Na década passada, a reforma do Conselho de Segurança foi uma reivindicação de vários países, entre os quais o Brasil e Alemanha, e chegou a ser tema de estudo de um grupo de especialistas convocado pelo então secretário-geral da ONU Kofi Annan. Ainda válido, o argumento era de que o Conselho de Segurança reflete o mundo do pós-guerra e, passados 70 anos, não estaria conformado adequadamente para tratar dos grandes temas atuais. Mas a ideia acabou engavetada.

Naquela época, o Brasil, a Alemanha, o Japão e a Índia formaram o G4, grupo de apoio mútuo de ingresso entre os membros permanentes do Conselho de Segurança. O Brasil ficou de fora do Conselho de Segurança, embora a Força Expedicionária Brasileira tenha lutado ao lado dos Estados Unidos na Europa. Recebeu como prêmio de consolação o direito de fazer o primeiro discurso da abertura dos trabalhos da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a cada ano.

A Alemanha e o Japão jamais foram considerados para o Conselho de Segurança, como membros permanentes, porque foram os países que detonaram a Segunda Guerra Mundial. A Índia foi incluída no G-4 porque seria o país emergente – com poderio nuclear – de maior envergadura da Ásia.

As discussões não prosperam porque nenhum dos cinco membros permanentes – Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia – pretende ceder espaço nem seu poder de veto sobre os temas tratados no Conselho.