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União Europeia suspende voos de aeronaves Boeing 737 Max

Alemanha, França e Reino Unido já haviam se manifestado individualmente; agência dos EUA sustenta que avião é seguro

A Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA, na sigla em inglês) anunciou nesta terça-feira, 12, a interrupção do uso de aviões Boeing 737 Max, o modelo do aparelho que caiu na Etiópia no domingo 10, causando a morte de todas as 157 pessoas a bordo. A medida foi tomada logo depois dos governo de França, Alemanha e Reino Unido divulgarem decisões semelhantes individualmente.

Segundo comunicado da organização, a medida foi tomada de forma preventiva e determina a suspensão das “operações de voo de todos os aviões Boeing Modelo 737-8 MAX e 737-9 MAX na Europa”. Além disso, a EASA paralisou “todos os voos comerciais efetuados pelos operadores de países terceiros” para ou até qualquer país da UE com os modelos da fabricadora americana.

“Dadas as circunstâncias do acidente na Etiópia, as autoridades francesas tomaram a decisão, como medida de precaução, de banir todos os vôos comerciais de Boeing 737 Max dentro, vindo de fora e sobre o território francês”, comunicou mais cedo a Direção Geral de Aviação Civil da França.

Medida equivalente foi confirmada pelo ministro do Transporte da Alemanha, Andreas Scheuer, em relação a seu país.

Até o momento, nove países baniram o uso das aeronaves Boeing 737 Max individualmente – Alemanha, Austrália, China, Coreia do Sul, França, Malásia, Omã, Reino Unido e Singapura, além da UE. Os Estados Unidos continuam a permitir os vôos do B737 Max, escudados na conclusão da Agência Federal de Aviação de que as aeronaves continuam seguras.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Brasil, ainda não tomou nenhuma iniciativa, mas a única companhia brasileira detentora desse aparelho, a Gol, anunciou na noite de segunda-feira a suspensão do uso delas. A Gol possui sete aviões B737 Max

Na mesma linha da Gol, as companhias Aerolíneas Argentinas e a Norwegian Airlines anunciaram a interrupção temporária dos voos de seus aviões B737 Max.

O vôo 302 da Ethiopian Airlines, de Addis Abeba para Nairobi, no Quênia, caiu perto da cidade de Bishoftu, a 42 quilômetros da capital etíope. O modelo B737 Max 8 é o mesmo do voo da Lion Air que caiu na Indonésia, em 29 outubro do ano passado, deixando 189 mortos. Ainda não há conclusão da investigação dessa tragédia.

Mas, desde o acidente na Indonésia, o B737 Max enfrenta ceticismo por parte da comunidade aeroespacial. Em maio de 2017, a Boeing interrompeu os testes de voo dos 737 Max devido a problemas no motor produzido pela CFM International, empresa de propriedade conjunta da Safran Aircraft Engines e da GE Aviation.

O segundo acidente com um B737 Max representa um grande golpe para a Boeing, que produziu mais de 10.000 desses modelos – a última versão da família 737. A fabricante divulgou estar “profundamente entristecida” com o acidente da Ethiopian Airlines e acrescentou que uma equipe técnica auxiliará nas investigações.