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Alemanha culpar Rússia por ataque foi ‘erro grave’, diz Putin, que entra na mira da UE

Investigação alemã atribuiu a Moscou responsabilidade por drone com explosivos em aeroporto, incidente que eleva tensão entre Moscou e Europa

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2026, 10h14 | Atualizado em 2 set 2026, 11h25
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O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira, 2, que a atribuição de um ataque com drones em solo alemão à Rússia foi um “erro grave”, na tentativa de questionar as evidências que embasaram as conclusões da investigação de Berlim. O episódio ocorreu no início de agosto no aeroporto de Leipzig, um importante centro de infraestruturas para o Exército alemão, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o apoio logístico europeu à Ucrânia, quando o dispositivo foi encontrado antes de uma possível detonação.

O líder russo também sugeriu que o governo do chanceler Friedrich Merz apontou o dedo para Moscou no intuito de desviar a atenção de “seus próprios problemas domésticos”. Já o ex-presidente Dmitry Medvedev, atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, foi além: em uma mensagem no seu canal no Telegram, acusou Berlim de adotar uma política “neonazista e ferozmente russofóbica” e afirmou que “eles merecem um ataque direto contra todas as instalações alemãs que fabricam equipamentos militares” para a Ucrânia.

No mesmo recado raivoso, Medvedev insinuou que um trem transportando líderes europeus à capital ucraniana, Kiev, poderia ser alvo de um bombardeio se a Ucrânia concretizar seus alertas, feitos na véspera, sobre o fechamento do espaço aéreo sobre a Rússia.

“Todo ato de terror tem seus patrocinadores. Atualmente, são os líderes das nações ocidentais, principalmente as europeias, e eles viajam frequentemente para Kiev de trem”, escreveu ele, em uma ameaça que ganha contornos mais intensos devido à abertura de uma nova fase da guerra, na qual o alvo preferencial das forças russas são ferrovias ucranianas.

‘Novo cenário de ameaça’

Em 4 de agosto, um drone carregado de explosivos foi avistado e desarmado próximo de uma aeronave ucraniana de carga Antonov An-124 Ruslan, usada para o transporte de suprimentos militares. Investigadores também suspeitam que um segundo drone teria colidido com um avião de carga da DHL logo após o fechamento temporário do aeroporto de Leipizg, utilizado como um centro de logística militar e de carga pela Otan e pelo governo ucraniano para o fornecimento de suprimentos militares.

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“Ameaças envolvendo drones, incluindo ameaças híbridas, são algo que já conhecemos. No entanto, o fato de um drone — armado com explosivos — estar nas dependências de um aeroporto representa um novo cenário de ameaça”, declarou o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt.

Posteriormente, a imprensa alemã informou que um outro drone foi encontrado junto com um possível explosivo militar nas proximidades do aeroporto de Leipzig, pouco depois de terem sido achadas cerca de 50 gramas de uma substância que poderia ser hexogênio, um explosivo de alta potência. “Os autores podem ter planejado um ataque muito maior do que o divulgado até o momento”, afirmou a emissora nacional NDR.

Segundo o ministro Dobrindt comunicou na terça-feira, “as investigações policiais, os métodos empregados e as informações de inteligência demonstram a responsabilidade russa pela tentativa de ataque ao aeroporto de Leipzig”. Em resposta, o governo alemão anunciou o fechamento do consulado-geral da Rússia em Bonn e o cancelamento do contrato de um centro cultural russo na capital alemã.

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‘Vamos aumentar a pressão’

Imediatamente, lideranças europeias expressaram solidariedade à Alemanha, e foi convocada para esta quarta-feira uma reunião de emergência com os ministros das Relações Exteriores da União Europeia, em Wicklow, na Irlanda. A anfitriã Kaja Kallas, chefe da política externa do bloco, afirmou que a tentativa de ataque ao aeroporto de Leipzig “apresenta todas as características de terrorismo patrocinado pelo Estado”.

Kallas acrescentou que o incidente deve servir como um “alerta” para os países que têm hesitado em adotar novas sanções contra a nação de Putin. “Se quisermos acabar com esta guerra, todos nós precisamos concentrar nossos esforços e elevar a atuação a um novo patamar”, declarou.

Paralelamente, a presidente da Comissão Europeia, realizou uma coletiva de imprensa sobre o assunto ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que denunciou que a Rússia está ficando “cada vez mais imprudente”.

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“Temos visto mais drones e mísseis cruzando nosso espaço aéreo ao longo do flanco oriental, criando um risco maior. Também observamos um aumento de atividades maliciosas visando diretamente nosso território, seja por meio de incêndios provocados em fábricas que produzem equipamentos de defesa para a Ucrânia ou pelo próprio ataque híbrido russo em Leipzig”, afirmou ele. “Se a Rússia acha que seremos divididos pelas ameaças, ou se pensa que seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia, está enganada. Nossa unidade permanece inabalável”, acrescentou.

Ele reiterou ainda que “o perigo que a Rússia representa é claro” e declarou que a Otan está “trabalhando incansavelmente para manter nossa população segura”.

Von der Leyen, por sua vez, frisou que a tentativa de ataque em Leipzig “marca uma nova escalada em solo da União Europeia, atribuída diretamente à Rússia”

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“Quero deixar bem claro o que foi um ataque com material de grau militar, realizado por agentes russos em solo da União Europeia. Não toleraremos isso. Manifestamos total solidariedade à Alemanha. E se a intenção era fazer com que pensássemos duas vezes antes de apoiar a Ucrânia, posso afirmar que isso apenas fortaleceu minha determinação. A intimidação não funcionará”, disparou. “A Europa e a Otan não apenas manterão a pressão sobre a Rússia, como também a aumentarão”, acrescentou.

Segundo a chefe do executivo da União Europeia, a ideia é criar mais pacotes de sanções para dispará-los assim que “tais atos perigosos, que ameaçam vidas, forem atribuídos à Rússia”.

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