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Al Qaeda do Iêmen reivindica responsabilidade por ataque ao ‘Charlie Hebdo’

O grupo terrorista, considerado uns dos mais ativos e mortais, divulgou um vídeo assumindo o planejamento e o financiamento do massacre em Paris

O grupo extremista Al Qaeda na Península Arábica (AQPA), com base no Iêmen, assumiu nesta quarta-feira a responsabilidade pelo ataque terrorista ao semanário satírico francês Charlie Hebdo, na semana passada. O ataque deixou doze pessoas mortas, incluindo os principais cartunistas do semanário e dois policiais. O AQPA reivindicou o atentado afirmando que ele foi cometido por ordem de seu chefe supremo, o egípcio Ayman al-Zawahiri. “Fomos nós que escolhemos o alvo, financiamos a operação e recrutamos o chefe”, declarou em um vídeo um dos líderes da Al-Qaeda no Iêmen, Nasser Bin Ali al Anasi.

“A operação foi realizada por ordem de nosso emir Ayman al-Zawahiri e de acordo com a vontade póstuma de Osama Bin Laden”, acrescentou. O vídeo também mostra uma imagem da torre Eiffel desmoronando. No breve comunicado, Al Anasi também afirma que a “operação foi uma vingança para o mensageiro de Alá”, numa referência às charges do profeta Maomé publicadas pelo semanário.

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O ataque ao Charlie Hebdo foi o início de três dias de terror na França, que ainda presenciou o assassinato de uma policial e um dramático sequestro com vítimas fatais em um supermercado em Paris. Ao todo, dezessete pessoas foram assassinadas pelos terroristas. Os irmãos Said e Cherif Kouachi, autores do ataque ao semanário, e Amedy Coulibaly, terrorista que assassinou uma policial e quatro reféns, foram mortos pela polícia francesa.

De acordo com a inteligência americana, Said Kouachi viajou ao Iêmen em 2011, onde foi formado no manejo das armas pesadas por membros da Al Qaeda no Iêmen, antes de voltar à França. A AQPA reivindicou vários atentados nos últimos anos. Em novembro de 2010, assumiu a autoria do envio de pacotes-bomba aos Estados Unidos e a explosão de um avião de carga dois meses antes em Dubai.

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Histórico – Nascido em janeiro de 2009 da fusão das facções saudita e iemenita da Al Qaeda, o grupo figura na lista de organizações terroristas de Washington, que prometeu 10 milhões de dólares (mais de 26 milhões de reais) por qualquer informação que conduza à localização de seu líder, o iemenita Nasser Bin Ali al Anasi, e de outras sete pessoas da cúpula do grupo. Segundo a inteligência dos Estados Unidos, o grupo é o mais perigoso e ativo braço da rede terrorista Al Qaeda.