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AI pressiona Tunísia para romper com regime de Ben Ali

Novo governo deve reformar as forças de segurança, que oprimem a população

“As autoridades devem condenar publicamente a tortura e adotar rapidamente medidas para erradicá-la”

Claudio Cordone, diretor da Anistia Internacional para programas regionais

A Anistia Internacional (AI) lançou um chamado para que as autoridades tunisianas realizem uma reforma profunda no “sistema de justiça e nos repressivos serviços de segurança” do regime do ex-ditador Zine El Abidine Ben Ali. “É um momento crítico para a Tunísia”, disse Claudio Cordone, diretor da Anistia Internacional para programas regionais, que acrescentou: “Os que estão no poder têm a oportunidade única de promover reformas fundamentais e duradouras e romper com as décadas de abusos do legado de Ben Ali”.

Como primeiro passo, segundo ele, o novo governo deve reformar imediatamente e profundamente as forças de segurança, “que levam muito tempo fustigando e oprimindo” a população. “As autoridades devem condenar publicamente a tortura e adotar rapidamente medidas para erradicá-la, entre elas a de levar à Justiça os que ordenam, praticam ou ocultam as torturas, além de indenizar as vítimas”, completou.

A entidade recomendou ainda que as autoridades anulassem todas as leis que “tipificam como delito o pacífico exercício dos direitos de liberdade de reunião e associação, além de deixar de perseguir os ex-presos políticos, entre outras coisas suprimindo a proibição de viajar ao exterior”.

Ben Ali está refugiado na Arábia Saudita há cerca de uma semana. Sua fuga veio na esteira de uma série de confrontos de rua entre a população e o exército, ao longo de mais de um mês.

(Com agência EFE)