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Ahmed Maher, o ativista que usou as redes sociais para insuflar o Egito

Belén Delgado.

Cairo, 24 jan (EFE).- O egípcio Ahmed Maher, fundador do Movimento 6 de Abril, consolidou nas redes sociais as bases que a juventude do país usou três anos depois para derrubar o regime de Hosni Mubarak.

Em 2008, quando Maher e outros ativistas criaram no Facebook o grupo chamado 6 de Abril: o Dia da Raiva, não podiam imaginar o que estava por vir. O movimento foi criado para convocar uma greve e protestos em solidariedade aos trabalhadores têxteis da cidade egípcia de Mahalla al Kubra.

Durante uma nova greve um mês depois, Ahmed Maher foi preso e torturado pela polícia egípcia. Em julho de 2008, ele foi detido novamente como prisioneiro político.

Arquiteto de profissão, Maher começou sua participação política em 2005 no movimento Kifaya e com menos de 30 anos fundou o Movimento 6 de Abril, que se tornou um dos principais grupos de jovens ativistas no Egito.

Durante a revolta que em fevereiro de 2011 levou a renúncia do presidente Hosni Mubarak, após 31 anos no poder, os jovens do 6 de Abril incentivaram protestos e lutaram contra o regime com as novas tecnologias como armas.

Foi por meio das redes sociais que os ativistas se organizaram de forma rápida e transmitiram sua mensagem para convencer a sociedade egípcia de que era necessário lutar pela democracia e a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

Na praça Tahrir, epicentro da revolução egípcia, os membros do 6 de Abril eram notados mostrando suas senhas de identidade: camisetas negras e o punho para o alto.

Ahmed Maher também é um usuário habitual de outras ferramentas da internet, como o Twitter, onde nesta terça-feira divulgou os horários de concentrações para as comemorações da Revolução de 25 de Janeiro.

Internamente, a heterogeneidade do Movimento 6 de Abril foi fonte de rumores sobre divisões e diferenças. Isto tornou possível encontrar nas mesmas manifestações pessoas que diziam pertencer ao ‘grupo de Ahmed Maher’ e outras que rejeitavam sua liderança, apesar de todos eles serem simpatizantes do 6 de Abril. EFE