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Agressões de Milei contra Lula devem ‘cessar imediatamente’, diz Mauro Vieira

Chanceler afirma que ataques do presidente argentino impedem a normalização da relação entre os dois países

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 ago 2026, 16h44
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A crise diplomática entre os governos de Brasil e Argentina precisa ser superada com uma mudança de postura de Buenos Aires, segundo o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, neste domingo, 9, o chanceler disse que a interrupção dos ataques feitos pelo presidente argentino, Javier Milei, é condição para que o relacionamento entre os dois países volte a avançar.

“Precisamos ser muito claros quanto a isso, pelo bem dessa relação: esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante”, disse o ministro. Vieira afirmou que Brasília continua tratando a Argentina como um parceiro estratégico e que o governo espera uma demonstração equivalente por parte da administração Milei.

As declarações do chanceler brasileiro ocorrem depois de uma sequência recente de ataques de Milei a Lula. Na convenção nacional do PL que lançou oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o argentino chamou o presidente brasileiro de “presidiário” e dirigiu críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.

No domingo (2), Milei voltou a mencionar Lula em entrevista à emissora argentina LN+. Dessa vez, chamou o brasileiro de “ladrão” e “corrupto” e voltou a questionar decisões do Supremo que anularam as condenações de Lula nos processos da Lava Jato.

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A representação diplomática entre os dois países também foi afetada pelo impasse. Brasil e Argentina estão atualmente sem seus embaixadores em Buenos Aires e Brasília, e os assuntos bilaterais são conduzidos por encarregados de negócios. Vieira afirmou que a recomposição dos postos de embaixador poderá ocorrer depois que forem eliminadas as circunstâncias que levaram ao quadro atual.

Vieira frisa que as falas de Milei alcançaram não apenas integrantes do governo brasileiro, mas também instituições e poderes do país, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele considerou “assombroso” um discurso recente do presidente argentino e afirmou que manifestações semelhantes ocorreram repetidamente em poucos dias.

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Vieira aproveitou a entrevista para negar outra acusação feita por Milei: a de que o governo brasileiro teria ajudado a financiar uma articulação internacional contra a Argentina. O ministro classificou a denúncia como “totalmente falsa”. Também afastou qualquer interpretação eleitoral sobre a visita do ex-ministro argentino Sergio Massa ao Brasil, dizendo que o encontro esteve relacionado a temas de interesse compartilhado pelas áreas econômicas dos dois países.

O chanceler ainda rejeitou a afirmação, feita por Milei e por integrantes de seu governo, de que Lula seria “comunista”. Vieira argumentou que o presidente brasileiro não rompeu com o caráter capitalista da economia brasileira e afirmou que a classificação corresponde à visão do chefe de Estado argentino.

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