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Agente alemão é detido por suspeita de trabalhar para a NSA

Funcionário do Serviço de Inteligência da Alemanha teria recebido 75.000 reais para repassar documentos para agência americana

Por Da Redação - 4 jul 2014, 17h14

Um funcionário do Serviço de Inteligência Federal da Alemanha (BND, na sigla em alemão) foi detido por suspeita de espionar para os EUA. A prisão ocorreu há dois dias, mas só foi divulgada nesta sexta-feira. Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, que citou fontes de serviços de segurança, o homem estaria atuando há dois anos como agente duplo para Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) em troca de dinheiro.

O episódio deve causar ainda mais fissuras na relação entre Washington e Berlim, já abalada pelo vazamento de informações sobre o alcance da espionagem americana, que atingiu até mesmo líderes aliados dos EUA, como a chanceler Angela Merkel, que teve o celular grampeado. Depois que a notícia sobre a prisão do funcionário alemão foi divulgada, o embaixador americano em Berlim foi convocado para prestar esclarecimentos.

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O agente, de 31 anos, foi detido justamente sob suspeita de coletar e repassar aos EUA documentos produzidos por uma comissão parlamentar que investiga a atuação da NSA na Alemanha. A revista Der Spiegel afirmou que o homem já confessou que vendia seus serviços a Washington e recebia instruções sobre como proceder através da embaixada americana em Berlim. Em troca, ele teria percebido 25.000 euros (75.000 reais) da NSA, quantia entregue em um encontro na Áustria.

O Süddeutsche Zeitung afirma que o suspeito também tentou entrar em contato com agências de inteligência da Rússia para oferecer seus serviços. Inicialmente, o agente começou a ser investigado por causa dessa suspeita, mas logo os investigadores começaram a suspeitar que ele, na realidade, trabalhava para os americanos. Ainda não se sabe se os contatos com os russos resultaram em algum acerto.

Um porta-voz disse que Merkel foi informada sobre o caso nesta quinta, mesmo dia em que manteve conversa telefônica com Barack Obama – em janeiro, o presidente americano havia se comprometido a acabar com a espionagem contra países aliados. O porta-voz alemão considerou o caso “muito grave”. A Casa Branca não comentou o caso.

Rusgas – Na semana passada, o governo alemão já havia demonstrado que ainda não recuperou a confiança nos americanos. O Ministério do Interior anunciou o cancelamento de um contrato com uma operadora americana de telefonia que presta serviços para vários órgãos do governo por temor que seus sistemas fossem usados pela NSA.

A prisão tem potencial de piorar ainda mais a relação. O caso provocou indignação entre os membros do Parlamento alemão, especialmente entre os membros do comitê que investiga as atividades da NSA. A deputada Martina Renner disse que caso a suspeita seja confirmada oficialmente, “não bastará apenas uma resposta legal, será necessária uma resposta política”.

(Com agências Reuters e EFE)

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