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Agência elimina fotos de Fidel ao constatar manipulação

Associated Press excluiu imagens do ditador depois de verificar que regime cubano adulterou material para apagar aparelho auditivo

Por Da Redação 11 fev 2014, 13h31

A agência de notícias Associated Press decidiu retirar de seus arquivos fotos recentes de Fidel Castro distribuídas pelo governo cubano, por constatar que as imagens foram alteradas digitalmente. Em uma delas, de um encontro com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, a agência aponta a eliminação do aparelho auditivo usado por Fidel. O mesmo ocorre em uma imagem na qual o ditador aparece junto com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. Também foram excluídas, entre outras, fotos de encontros com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e com a presidente Dilma Rousseff, ocorridos durante a Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), realizada no final de janeiro, em Havana.

A AP informou que, ao analisar as imagens distribuídas por Havana, editores perceberam uma anomalia em uma foto que mostrava o encontro entre Fidel e o presidente do Equador, Rafael Correa, no dia 29 de janeiro. Foi então que a agência adquiriu a foto original do filho de Fidel, Alex Castro, que forneceu o material imediatamente e disse que não sabia da manipulação realizada antes da distribuição das fotos, segundo a agência. “A original claramente mostrava um fio na orelha de Fidel Castro que não estava visível na foto alterada distribuída pelos Estudios Revolución”, ressaltou o diretor de fotografia da agência, Santiago Lyon, ao jornal The Guardian. A AP informou ainda que vai analisar mais de 150 fotos recentes de Fidel.

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Outros casos – A manipulação de imagens é um recurso comum dos regimes autoritários em suas peças de propaganda. Recentemente, a Coreia do Norte editou fotografias, vídeos e arquivos nos quais o tio e mentor de Kim Jong-un aparecia. Jang Song-Thaek tornou-se desafeto do sobrinho e acabou sendo executado. No Egito, o jornal estatal Al-Ahram publicou uma foto em que o ditador Hosni Mubarak aparecia caminhando à frente de Barack Obama, Benjamin Netanyahu, Mahmoud Abbas e do rei Abdullah, quando, na verdade, ele vinha atrás do grupo no tapete vermelho da Casa Branca. O jornal alegou que a foto expressava a opinião sobre o proeminente papel do Egito nas conversas sobre a questão palestina.

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O ex-presidente egípcio, Hosni Mubarak, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente dos EUA, Barack Obama, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o rei Abdullah II da Jordânia caminham em direção ao Salão Leste da Casa Branca, durante encontro em 2010, na imagem à esquerda a imagem alterada colocando Mubarak no centro
O ex-presidente egípcio, Hosni Mubarak, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente dos EUA, Barack Obama, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o rei Abdullah II da Jordânia caminham em direção ao Salão Leste da Casa Branca, durante encontro em 2010, na imagem à esquerda a imagem alterada colocando Mubarak no centro VEJA

O Guardian cita ainda uma alteração que levou autoridades chinesas a pedir desculpas, depois da distribuição de uma foto falsa em que inspetores fiscalizam uma rodovia. Eles não estavam, de fato, no local.

Imagens de Fidel Castro tornaram-se mais rara desde 2006, quando o ditador passou o comando do regime para o irmão Raúl. A maior parte das fotos foi tirada por Alex. Antes das muitas visitas que recebeu durante a Celac, o ditador ficou um tempo sem aparecer em fotos oficiais, até que, no dia 9 de janeiro, foram divulgadas imagens de Fidel caminhando com ajuda, curvado e com uma aparência fragilizada, em um evento em Havana.

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