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Afegãs compartilham fotos em roupas coloridas em protesto contra o Talibã

No último sábado (11), dezenas de mulheres participaram de ato em apoio ao Talibã na Universidade de Cabul

Por Ernesto Neves Atualizado em 13 set 2021, 15h04 - Publicado em 13 set 2021, 14h20

Mulheres pertencentes à diáspora do Afeganistão espalhadas pelo mundo iniciaram um protesto nas redes sociais contra as exigências de vestuário feitas pelo Talibã. As afegãs passaram a postar fotos em que aparecem em trajes tradicionais e coloridos.

As imagens são uma contraposição ao ato em apoio ao Talibã realizado no último sábado (11), na Universidade de Cabul, na capital do país.

O ato contou com dezenas de mulheres, entre alunas, professoras e funcionárias, usando uma túnica negra que as cobria da cabeça aos pés.

Elas também agitavam bandeiras do grupo radical enquanto desfilavam pelas dependências da universidade. 

O Talibã impôs uma versão estrita da Sharia, a lei islâmica, que prevê ainda completa segregação de gênero no ambiente escolar.

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A campanha foi iniciada por Bahar Jalali, ex-professora da Universidade Americana do Afeganistão.

Bahar postou a foto de uma mulher em um vestido negro e rebateu: “Nenhuma mulher jamais se vestiu assim na história do Afeganistão. Isso é totalmente estranho à cultura afegã. Publiquei minha foto no tradicional traje afegão para informar, educar e dissipar a desinformação que está sendo propagada pelo Talibã”, disse. 

Waslat Hasrat-Nazimi: 'É assim que as mulheres afegãs se vestem'
Waslat Hasrat-Nazimi: ‘É assim que as mulheres afegãs se vestem’ Twitter/Reprodução

Shekiba Teimori, uma cantora e ativista afegã que fugiu de Cabul no mês passado, afirmou que o hijab, versão mas estrita da veste feminina, já existia antes da queda de Cabul, mas usá-lo era apenas uma decisão pessoal. “Podíamos ver mulheres de hijab, mas seu uso era baseado em costumes familiares, e não do governo. 

Desde a queda do governo do Afeganistão, em agosto, e a conquista do país pelo Talibã, a situação das mulheres tem sido alvo de crescente preocupação. 

Isso porque o grupo islâmico defende uma interpretação radical do islamismo que coloca as mulheres à margem da sociedade. O grupo governou o Afeganistão de 1996 a 2001, mas foi expulso do poder após a invasão liderada pelos Estados Unidos.

Durante o período em que esteve no poder, as mulheres foram forçadas a casamentos arranjados, não podiam estudar e tampouco sair de casa sem companhia masculina. 

Mulheres afegãs compartilham fotos em trajes tradicionais em protesto contra o Talibã
Mulheres afegãs compartilham fotos em trajes tradicionais em protesto contra o Talibã Twitter/Reprodução
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