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Acusados da morte de premiê libanês em 2005 são julgados

Foragidos, quatro membros do grupo xiita Hezbollah serão julgados à revelia em tribunal internacional pelo atentado que matou Rafik Hariri nove anos atrás

O julgamento à revelia de quatro membros do grupo radical xiita Hezbollah acusados do assassinato, em 2005, do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri começou nesta quinta-feira em Haia. A primeira audiência teve início poucas horas depois de um atentado a bomba deixar três mortos em um reduto do Hezbollah perto da fronteira com a Síria.

Os réus Salim Jamil Ayyash, Mustafa Amine Badreddine, Hussein Hassan Oneissi e Assad Hassan Sabra são acusados de assassinato, terrorismo e de planejar o atentado contra Hariri. Se forem condenados, eles podem ser punidos com prisão perpétua, mas terão direito a um novo julgamento se forem presos, informou o jornal The New York Times. É a primeira vez que o tribunal internacional julga acusados ausentes desde a Corte de Nuremberg, depois da II Guerra Mundial. Protegidos pelo Hezbollah, os quatro estão foragidos.

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“Vamos proceder como se os acusados estivessem presentes e tivessem se declarado inocentes”, declarou o juiz David Re no início da audiência pública do Tribunal Especial para o Líbano em Leidschendam, na periferia de Haia. Uma maquete do centro de Beirute foi colocada na sala de audiência.

Celulares – A promotoria afirma que registros de chamadas telefônicas e mensagens de texto apontam que os réus ligaram uns para os outros para monitorar Hariri nos meses anteriores ao crime e para coordenar seus movimentos no dia do ataque. “Eles usaram redes telefônicas colocadas em operação e mantidas meses antes da conspiração de fato”, disse um membro da promotoria, Alexander Milne.

Aparelhos que haviam sido comprados seis meses antes do ataque ou mesmo no ano anterior repentinamente passaram a ser utilizados nos últimos três meses de vida de Hariri, segundo os promotores. Os aparelhos deixaram de ser usados imediatamente antes ou logo após o atentado.

Segundo a acusação, Mustafa Badreddine, de 52 anos, e Salim Ayyash, de 50, prepararam e levaram adiante o plano contra Hariri. Os outros dois homens, Hassan Oneissi, de 39 anos, e Assad Sabra, de 37, são acusados de terem enviado à rede de televisão Al-Jazeera um vídeo falso para reivindicar o assassinato em nome de um grupo terrorista fictício.

O ex-primeiro-ministro morreu no dia 14 de fevereiro de 2005 na explosão de um caminhão-bomba à beira-mar em Beirute quando ia para sua casa em um veículo blindado. O sunita Hariri era então o político mais popular do país. Depois do atentado, as tropas sírias se retiraram do Líbano, após quase trinta anos no país.

(Com agências Reuters e France-Presse)