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Acusado de corrupção, presidente da Alemanha renuncia

Angela Merkel cancela viagem à Itália e anuncia consenso para substituí-lo

O presidente alemão, Christian Wulff, anunciou nesta sexta-feira sua renúncia depois que a Procuradoria pediu o fim de sua imunidade em um caso de corrupção. Logo em seguida, a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou que os partidos da coalizão governamental buscarão com a oposição social-democrata e verde um candidato de consenso para a sucessão de Wulff na Presidência da Alemanha.

“A confiança dos cidadãos está afetada, portanto, não posso seguir exercendo minha função. Por isso, renuncio”, disse Wulff, um conservador que Merkel conseguiu eleger, com muitas dificuldades, em junho de 2010. Em uma declaração institucional pouco depois da renúncia de Wulff, Merkel afirmou que havia recebido a notícia “com grande respeito e pesar”, e ressaltou que o presidente demissionário e sua mulher Bettina representaram “com dignidade” a Alemanha.

Merkel, que nesta sexta-feira deveria se reunir em Roma com o presidente do conselho italiano Mario Monti, cancelou sua visita à Itália. A viagem foi adiada possivelmente até a próxima semana, segundo o serviço de imprensa do governo alemão.

Acusações – Desde meados de dezembro, Wulff, de 52 anos, é alvo de críticas dos meios da imprensa alemã, que o acusa de ter tentado abafar um caso de crédito privado obtido da mulher de um amigo industrial quando era chefe do governo regional da Baixa Saxônia. Desde então, não há uma semana em que não apareça em um novo caso do mesmo tipo. Em meados de janeiro, o endereço de seu ex-porta-voz, destituído no dia 22 de dezembro, foi revistado. Este é suspeito de corrupção por fatos ocorridos entre 2007 e 2009, quando era o porta-voz de Wulff.

O presidente alemão sempre rejeitou as acusações e em janeiro havia excluído uma renúncia. Na Alemanha, as funções do presidente são essencialmente honoríficas, mas deve ser uma autoridade moral.

(Com agência France-Presse)