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Acordo encerra greve policial em Córdoba após saques

Em meio ao caos na cidade, uma pessoa foi morta e mais de cem ficaram feridas

Por Da Redação 4 dez 2013, 23h38

Um morto, mais de cem feridos e 52 detidos foi o saldo, nesta quarta-feira, de uma onda de roubos e saques por grupos classificados de “criminosos organizados” pelo governo, na província argentina de Córdoba (centro), em meio a uma greve policial. Cerca de três mil de policiais permaneceram paralisados por mais de 24 horas, devido ao conflito por reivindicações salariais, até a assinatura, nesta quarta, de um acordo com o governo provincial.

Um jovem de 20 anos foi baleado durante um saque na periferia de Córdoba. O representante de um hospital local chegou a anunciar a morte de um homem de 85 anos como a segunda ligada aos incidentes, mas a informação foi corrigida mais tarde. As autoridades disseram que a morte não teve relação com o caos na província, informou o jornal La Nación.

“Chegamos a um acordo (com o governo). Pedimos desculpas a todos os cordobenses”, disse um dos policiais a jornalistas, no anúncio de suspensão da greve, em uma sede policial no bairro Cerveceros da capital provincial. Os agentes voltam paulatinamente a patrulhar as ruas.

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O acordo firmado estabelece o salário-base de um agente em cerca de 8 000 pesos (3 100 reais), 50% a mais do que ganhavam. Continua sendo, porém, a metade do que a categoria reivindicava. O protesto envolveu, principalmente, agentes de baixa patente, em um longo conflito que teve o acampamento das mulheres desses policiais como seu maior símbolo. O movimento de reivindicações salariais se intensificou depois que, em setembro passado, o chefe do combate às drogas na polícia de Córdoba e outros quatro agentes foram detidos por acusações de ligação com o tráfico de entorpecentes.

À noite e de madrugada, grupos de criminosos, muitos deles de moto, percorreram diferentes bairros de Córdoba, assaltando e destruindo supermercados e outros estabelecimentos comerciais. O grupo teria se aproveitado da ausência de policiais nas ruas. No centro de Córdoba, “havia vários caras que cuidavam das lojas com escopetas, como no Velho Oeste”, descreveu Raúl Dotti, de 55 anos, dono de uma loja de reposição de peças de automóveis e pneus, no centro da capital provincial.

Testemunhas disseram à agência France Presse que alguns indivíduos chegaram a invadir casas e exigir dinheiro dos moradores.

“Não foi um saque pela pobreza, não houve um saque de alimentos. Aqui, houve presença criminosa. Tem mais jeito de situação de crime e saques do que de um movimento social pela fome”, declarou o bispo auxiliar de Córdoba, Pedro Torres.

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Segunda província mais populosa do país, com 3,5 milhões de habitantes, Córdoba suspendeu as atividades escolares e o transporte público de forma preventiva nesta quarta. Lojas, bancos e universidades se mantinham fechados, assim como os postos de gasolina. A maioria dos moradores preferiu não sair de casa.

Lei de Emergência – No Congresso argentino, um grupo de deputados opositores apresentaram um projeto de lei para “superar a situação de perigo coletivo que a Nação poderia sofrer”. Os parlamentares argumentam que a “Lei de Emergência de Segurança Nacional” servirá para retirar entraves burocráticos e jurídicos para a liberação de ajuda às províncias.

O governador de Córdoba, José Manuel de la Sota, reclamou que pediu a colaboração da Força de Segurança Nacional para controlar a situação, mas não foi atendido.

O Parlamento argentino terminou de definir nesta quarta-feira sua nova composição, com o juramento dos 127 deputados eleitos. A maioria ainda é governista. Em uma de suas primeiras reuniões depois de ser reeleito com presidente da Câmara dos Deputados, Julián Dominguez recebeu legisladores kirchneristas de Córdoba e criticou o governador, dizendo que os saques “poderiam ter sido evitados” com ações locais, informou o jornal Clarín.

Outras localidades – Na madrugada desta quarta, cerca de 50 pessoas tentaram saquear um mercado em Glew, na grande Buenos Aires, aproveitando um corte de luz na região. Segundo fontes policiais, o dono do estabelecimento, identificado como Lin Zhang Xian, resistiu e disparou contra os bandidos que, em represália, colocaram fogo no local. O dono morreu asfixiado.

Na semana passada, 50 pessoas foram detidas em duas tentativas de saques em Rosário, 312 km ao norte de Buenos Aires. A polícia da província de Buenos Aires e outras forças de segurança nacionais foram colocadas em estado de alerta pelas autoridades.

(Com agência EFE)

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