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Acordo dos EUA com México promete bilhões de dólares para conter migração

Programa bilateral com o México marca voto de confiança antecipado de Donald Trump ao novo presidente do país, López Obrador

Os Estados Unidos e o México anunciaram na terça 18 um programa bilateral de assistência para conter a migração, sobretudo de países da América Central. A novidade assinala um voto antecipado de confiança da administração de Donald Trump para a política externa do novo presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador

A contribuição americana totalizará US$10 bilhões, a maioria realocada de programas já existentes. Por volta de 4,5 bilhões de dólares (cerca de 17,4 bilhões de reais, na cotação de hoje) do montante virá de novos empréstimos do setor privado, que podem ser aprovados pela Corporação para o Investimento Privado no Exterior (OPIC). 

O governo mexicano disse que o acordo irá contribuir com 25 bilhões de dólares (equivalente a cerca de 97 bilhões de reais) para o desenvolvimento do sul do México ao longo dos próximos cinco anos. As obras para isso, segundo López Obrador, podem ser fonte de emprego para centro-americanos que conseguirem vistos de trabalho no país.

Depois de dois anos tumultuados na relação bilateral e de semanas tensas durante a chegada de diversas caravanas de refugiados, o governo mexicano disse estar feliz com os sinais positivos. “O anúncio reflete a importância que ambos países atribuem ao nosso relacionamento”, disse Marcelo Ebrard, ministro das Relações Exteriores do México.

A novidade foi uma surpresa para muitos que esperavam um choque entre as ideologias do republicano com Obrador, um político de esquerda.

O Departamento de Estado disse em nota que o programa “vai abordar os desafios compartilhados da migração, narcotráfico, e atividades de organizações criminosas transnacionais.”

Por anos os Estados Unidos direcionaram assistência ao desenvolvimento da América Central, na esperança de prevenir que migrantes viajassem para os Estados Unidos. Em 2014, em meio a uma onda de crianças desacompanhadas chegando a fronteira, a administração Obama anunciou um fundo de US$750 milhões para Honduras, Guatemala, El Salvador, apelidado de Aliança para a Prosperidade.

O governo de Trump vem conduzindo uma revisão dessa ajuda, visando eliminar ou cortar bruscamente muitos dos programas lançados pelo antecessor, que envolveram um montante de US$2,6 bilhões entre 2015 e 2018. As nações auxiliadas também prometeram investir o próprio dinheiro para combater violência, desemprego, corrupção e outros fatores que levam as pessoas a deixar sua terra natal.

Considerando a iniciativa ineficaz, o Departamento de Estado americano chegou a idealizar os planos para redução de milhões de dólares em ajuda, de acordo com autoridades do país. Mas com muitos deles alertando que esses cortes poderiam ser extremamente prejudiciais, o atual presidente acabou desistindo.