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Ações do grupo Clarín desabam após invasão a TV

Com autorização de juiz, militares ficaram por 3 horas na sede da televisão por assinatura Cablevisión; direção do jornal aponta perseguição do governo

As ações do grupo Clarín, maior conglomerado de comunicação da Argentina, desabaram nesta terça-feira após a invasão de militares à sede da Cablevisión, empresa do grupo que é líder no mercado argentino de TV a cabo e internet. No fechamento do pregão da Bolsa de Buenos Aires, as ações do grupo Clarín operavam com queda de 11%, a oito pesos e noventa centavos.

A intervenção na Cablevisión foi autorizada pelo juiz federal Walter Bento, a partir de denúncias de “exercício presumível de concorrência desleal” e “posição dominante” feitas pela empresa Vila-Manzano, da operadora Supercanal, concorrente da televisão do Clarín. Cinquenta agentes da polícia militar entraram no prédio da TV em Buenos Aires, cumprindo ordens do magistrado da província de Mendoza, que foram interpretadas pelo diário Clarín como parte de uma “perseguição” do governo de Cristina Kirchner.

O juiz designou Enrique Anzoise como “interventor coadministrador” depois da queixa. A operação foi “considerada sem precedentes, inscrevendo-se numa campanha sistemática de perseguição que o governo nacional realiza contra as empresas do grupo Clarín”, afirmou a Cablevisión em comunicado.

“Não podemos separar este episódio da escalada do gobierno nacional contra o grupo Clarín”, disse o gerente de Comunicações Martín Echevers. Segundo imagens dos canais de notícias argentinos, o interventor Anzoise foi agredido por empregados ao deixar o prédio da Cablevisión, incidente que foi controlado pelos policiais militares. Seu advogado, Ricardo Mastronardi, explicou que Anzoise “terá um prazo de 60 dias para analisar toda a documentação” e elaborar um relatório para o juiz Walter Bento.

Lei do papel – O episódio na Cablevisión acontece num momento em que o Senado argentino se prepara para votar uma controversa lei que declara de interesse público o papel-jornal, cujo único fabricante na Argentina é a Papel Prensa, controlada pelo Clarín (49% das ações) e La Nación (22,49%), os dois maiores jornais do país – o estado possui uma participação de 28,08%. A legislação já foi aprovada pela Câmara.

O Clarín administra 60% do mercado da televisão a cabo na Argentina. Na capital e arredores, região que possui 14 milhões de habitantes,o grupo tem uma fatia de 90% segundo o canal de notícias América 24. A Cablevisión conta com mais de 3,3 milhões de assinantes distribuídos na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Na Argentina, está presente em 96 cidades e em 12 províncias, assinalou a empresa em sua página na internet – mas não na província de Mendoza.

(Com agência France-Presse)