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“Acabei”, afirmou Anders Breivik ao render-se à polícia norueguesa após o massacre

Por Jon-Are Berg-Jacobsen 28 jul 2011, 10h38

“Já acabei”, foram as primeiras palavras ditas por Anders Behring Breivik quando detido pela polícia após o massacre na ilha de Utoya, informou nesta quinta-feira o jornal norueguês Verdens Gang citando fontes anônimas.

Depois disso, o assassino confesso se transformou e começou a falar muito, contou ainda o Verdens Gang, sem detalhar o que o direitista radical de 32 anos teria falado.

Contactada pela AFP, a polícia não quis confirmar estas informações.

As autoridades encarregadas do distrito onde se encontra Utoya deram detalhes sobre a prisão de Breivik, que se entregou sem apresentar resistência.

Pouco antes de chagar à ilha e se aproximar da área do tiroteio, a equipe de intervenção gritou “Polícia! Estamos armados!”, contou Haavard Gaasbakk, que dirigiu o comando.

Anders Behring Breivik então saiu de dentro da mata com as mãos para o alto. Sua arma foi localizada a uns 15 metros atrás dele.

Eram 18H27, segundo a cronologia da polícia, uma hora e um minuto depois do primeiro alerta recebido pela polícia local, e 80 minutos depois do início do tiroteio, segundo a imprensa norueguesa.

O tempo que a polícia demorou em agir diante do massacre provocou críticas, especialmente dos sobreviventes. Quando teve início o tiroteio, a polícia e os serviços de socorro estavam concentrados no bairro governamental de Oslo, devastado pela explosão de um carro-bomba às 15H30 local.

Devido à carência de um helicóptero, a operação em Utoya enfrentou dificuldades, ainda mais quando o barco da polícia sofreu uma avaria no motor, segundo o relato dos fatos divulgados na quarta-feira.

Mas, segundo a polícia, esta falha os fez ganhar tempo, pois a equipe se dividiu em duas e embarcou em duas naves civis, mais rápidas.

Além disso, o chefe da equipe policial que prendeu o autor confesso da matança disse estar orgulhoso do trabalho de seus homens.

“Foram muito sólidos e demonstraram uma grande coragem”, disse Haavard Gaasbak à imprensa.

O chefe policial contou à imprensa como chegou à ilha à frente de outros nove homens, e como prenderam o atirador, que disparou por mais de uma hora contra um acampamento de verão trabalhista que contava com a participação de cerca de 600 pessoas.

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Anders Behring Breivik rendeu-se sem resistir logo após a chegada da polícia à ilha, acrescentou o funcionário.

No tiroteio morreram 68 pessoas. Além disso, outras oito pessoas morreram após a explosão de um carro bomba pouco antes no bairro dos ministérios, no centro de Oslo.

Nesta sexta-feira, a polícia norueguesa anunciou ter encerrado sua busca para encontrar desaparecidos na ilha.

“Posso confirmar que a busca em Utoya terminou”, informou Johan Fredriksen, um chefe da polícia de Oslo, falando à imprensa.

Na véspera, a imprensa local indicou que não havia informações sobre um provável desaparecido.

Por outro lado, a polícia não deu detalhes sobre a zona onde foi realizado o atentado com bomba no bairro dos ministérios de Oslo, onde oito pessoas morreram no primeiro atentado que serviu para distrair a atenção das autoridades para o ataque posterior à ilha.

Segundo o serviço de inteligência norueguês, Anders Breivik provavelmente atuou sem cúmplices, tendo todas as chaves da investigação.

“Acredito que ele provavelmente não tem cúmplices”, declarou Janne Kristiansen, diretora do Serviço de Segurança da Polícia (PST) norueguesa.

“Tem o controle da situação, porque apenas ele pode nos dizer o que fazer, e não temos nenhuma fonte”, completou em declarações à AFP.

Anders Behring Breivik, em prisão preventiva durante um período renovável de oito semanas, desconcerta os investigadores por sua personalidade e sua organização tão minuciosa, desenvolvida ao longo de vários anos.

“É uma pessoa muito calculista, muito fria, muito inteligente”, considerou Kristiansen. “E se preparou para isso há muito tempo”, disse à AFP.

“Não temos nenhum indício, porque apenas comunica consigo mesmo”, completou, referindo-se aos esforços da polícia em descartar 100% a hipótese de que o suspeito conte com o apoio de outras células”.

“Leva uma vida paralela: as pessoas ao seu redor pensam que é uma pessoa normal, mas em sua mente é alguém completamente diferente. Completamente maléfico”, segundo a chefe antiterrorista.

O duplo ataque de sexta-feira, o atentado com carro-bomba em frente à sede de governo de Oslo e o tiroteio na ilha de Utoya contra um acampamento de verão deixaram 76 mortos, segundo balanço ainda provisório.

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